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sábado, 23 de janeiro de 2021

Os Estigmas de Padre Pio

 



Padre Pio trazia consigo um amor zeloso pela humanidade, claramente se via que sua missão era acolher em si o sofrimento do povo. Sempre estava em busca de aliviar a dor dos corações amargurados e oprimidos pelo pecado. De forma intima Jesus convida-o para participar da sua dolorosa paixão, recebendo os sinais da Paixão em seu próprio corpo. Estava aí marcado em si mesmo a sua missão. Deus o queria para aliviar o sofrimento dos seus filhos.

O amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque.

Madre Teresa de Calcutá

Padre Pio amava até doer, e doer na carne, tirou das suas dores físicas um consolo ao coração de jesus durante 50 anos.

Doutor Giorgio Festa, um dos melhores médicos de Roma, foi um dentre outros, que estudaram os estigmas de Padre Pio. Ele era descrente de Deus, porém, depois de se aprofundar nos mistérios dos estigmas e não encontrar uma explicação racional e científica para tal fenômeno, tornou-se católico e se tornou filho espiritual do Padre Pio.

Veja o diagnóstico do referente médico acerca dos estigmas.

Do lado esquerdo do tórax, há um ferimento em feitio de cruz (...) nesta região também não se verifica o menor vestígio de infecção, edema ou inflamação da pele que circunda o ferimento”

“O aparecimento dessas feridas, suas estranhas características anatômicas e patológicas, mais a constância com que vertem sangue vivo e perfumado, estão localizadas em pontos de seu corpo que correspondem às chagas do Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo”

Padre pio em uma carta que escreve a seu diretor espiritual descreve assim seus estigmas:

“Em meio das mãos apareceu uma mancha vermelha, do tamanho de um centavo, acompanhada de uma intensa dor. Também sob dois pés sinto dor”.

Enquanto para nós os estigmas são um milagre, que mostra o poder de Deus, para o Padre Pio era um importante meio de santificação e oferecimento de seu sofrimento para conversão dos pecadores e santificação das almas.

Por causa do sangue precisava usar luvas de malha; eram de cor marrom durante o dia e cor branca para a noite.

Para lavar o rosto, precisava de luvas impermeáveis.

Ele próprio fazia a assepsia de suas feridas.

Não podia fechar os punhos, ou fechar as mãos. As feridas impediam-no de escrever bem, pois não podia firmar os dedos na caneta, para que a chaga não sangrasse.

Não podia segurar com firmeza objeto algum. Não podia carregar o menor peso. Não podia sequer apanhar uma cadeira para mudá-la de lugar.

Para tirar ou calçar as próprias sandálias, não podia inclinar-se, por causa da chaga do tórax que começava logo a sangrar.

Para vestir a camiseta básica, o hábito e o capuz franciscano, precisava de ajuda.

Nenhum remédio foi capaz de aliviar suas dores e desconfortos. Bandagem alguma conseguiu reter o sangramento. Tudo foi aceito com muito amor. Os estigmas sumiram antes da morte de Padre Pio sem deixar qualquer marca, cicatriz ou sequela. O próprio Santo explica que Jesus lhe comunicou que os estigmas permaneceriam com ele durante 50 anos, não mais.

 

Fernanda Venâncio da silva

Grupo de Oração Filhos de Maria 

Referencias: https://quemrezasesalva.com.br/santos/padre-pio

https://pt.wikipedia.org/wiki/Padre_Pio

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

UM SANTO PERSEGUIDO E CALUNIADO

 


Padre Pio celebrava a missa como alguém que sabe oferecer um verdadeiro e singular sacrifício. E toda vez que subia ao altar para imolar o Cordeiro de Deus, numa celebração de duas horas, também ele era imolado, de modo que as suas chagas aumentavam, o que fazia com que ele fosse muito visado e julgado por outros padres e fiéis.

Por esse motivo a própria pessoa do Padre Pio não passou despercebida aos olhos dos invejosos, e ele acabou se tornando objeto de perseguições, calúnias, ameaças, troças e todo tipo de ofensa, simplesmente porque vivia como um sacerdote deve viver: como um verdadeiro Cristo.

Padre Pio de Pietrelcina sentiu na pele não apenas as chagas de Cristo, mas também a mão pesada da desconfiança da Santa Sé. Doutores, especialistas, e até mesmo um bispo o acusaram de fraude. Eles diziam que ele utilizava ácido para criar as chagas. E afirmavam que o odor da santidade que emanava de seus estigmas era gerado por perfume.

Como resultado de todas as acusações lançadas sobre ele, entre os anos de 1922-1933, o Vaticano publicou cinco decretos alertando o público sobre o Padre Pio. A Santa Sé o restringiu de ouvir confissões e de celebrar a Missa em público durante algum tempo. O diretor espiritual de Padre Pio, Padre Augustino de San Marco disse que o santo às vezes chorava durante este tempo. Ele não podia entender porque as autoridades da Igreja estavam punindo-o. Ainda assim, o humilde padre permaneceu obediente à Cruz. Não protestou nenhuma vez. Ao invés disso, ele ofereceu seu sofrimento em favor dos outros. E rezava.

 

Juliete Regina Ribeiro Costa

G.O. Filhos de Maria

Fonte:https://padrepauloricardo.org/episodios/padre-pio-e-lutero

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Relato inédito da estigmatização do Padre Pio.


O Padre Pio de Pietrelcina recebeu em 1918 os estigmas de Jesus Crucificado, que em uma aparição o convidou a unir-se à sua Paixão para participar da salvação dos irmãos, em especial dos consagrados.

Este elemento particular foi conhecido graças à recente abertura dos arquivos do antigo Santo Ofício de 1939 (atual Congregação para a Doutrina da Fé), que custodiam as revelações secretas do frade sobre fatos e fenômenos nunca contados a ninguém. Agora saíram à luz no livro «Padre Pio sotto inchiesta. L’autobiografia segreta» (Pe. Pio indagado. A auto-biografia secreta, N. do T) Até hoje parecia, de fato, que o Padre Pio, por pudor ou talvez por considerar-se indigno dos extraordinários carismas recebidos, não teria revelado a ninguém o que aconteceu no dia de sua estigmatização.

Só existe um dado a respeito disso, que se encontra em uma carta enviada a seu diretor espiritual, o Pe. Benedetto de São Marco in Lamis, quando fala da aparição de um «misterioso personagem», mas sem deixar transluzir outros detalhes.O livro, que oferece pela primeira vez o informe na íntegra, redigido por Dom Raffaello Carlo Rossi, bispo de Volterra e Visitador Apostólico enviado pelo Santo Ofício para «inquirir» em secreto o Padre Pio, declara finalmente que o santo de Gargano teve um colóquio com Jesus crucificado. Dom Rossi foi o único representante de uma congregação vaticana encarregado de estudar os estigmas do Padre Pio. Ele se pronunciou favoravelmente, considerando que sua origem era divina, desmentindo ponto por ponto as hipóteses apresentadas pelo Pe. Agostino Gemelli, que definiu os estigmas como «fruto da sugestão».

Uma segunda fonte autobiográfica do Padre Pio, prestada sob juramento, foi acrescentada ao seu epistolário, oferecendo as chaves de leitura adequadas para conhecer a personalidade e a missão de «sacerdote associado à Paixão de Cristo» do frade com os estigmas.Chamado a responder jurando sobre o Evangelho, pouco depois dos fenômenos místicos, o Padre Pio revelou pela primeira vez a identidade daquele que o estigmatizou.Em 15 de junho de 1921, por volta das 17 horas, interrogado pelo bispo, o Padre Pio respondeu assim: «Em 20 de setembro de 1918, depois da celebração da Missa, ao entreter-me para fazer a ação de graças no Coro, em um momento fui assaltado por um grande tremor, depois voltei para a calma e vi NS (Nosso Senhor) com a postura de quem está na cruz».

«Não teria me impressionado se tivesse a Cruz, lamentando-se da falta de correspondência dos homens, especialmente dos consagrados a Ele e, por isso, mais favorecidos.» «Assim – continua seu relato – se manifestava que ele sofria e que desejava associar as almas à sua Paixão. Convidava-me a compenetrar-me com suas dores e a meditá-las: ao mesmo tempo, a ocupar-me da saúde dos irmãos. Imediatamente me senti cheio de compaixão pelas dores do Senhor e lhe perguntava o que podia fazer.» «Ouvi esta voz: ‘Eu te associo á minha Paixão’. E logo depois, desaparecida a visão, voltei a mim, recobrei a razão e vi estes sinais aqui, dos quais pingava sangue. Antes não tinha nada.»

O Padre Pio revela, portanto, que a estigmatização não foi resultado de um pedido seu, mas um convite do Senhor, que, lamentando-se da ingratidão dos homens, particularmente dos consagrados, tornava-o destinatário de uma missão, como cume de um caminho de preparação interior e mística.Por outro lado, explica o autor do livro, «o tema da falta de correspondência dos homens, particularmente daqueles que haviam sido mais favorecidos por Deus, não é novo nas revelações privadas do capuchinho».

De fato, o Padre Pio relatou que em uma aparição, no dia 7 de abril de 1913, Jesus, com «uma grande expressão de desgosto no rosto», olhando para uma multidão de sacerdotes, disse-lhe: «Eu estarei em agonia até o fim do mundo, por causa das almas mais beneficiadas por mim».



Fonte: https://saopio.wordpress.com/2008/10/01/relato-inedito-da-estigmatizacao-do-padre-pio/

Eis como apareceram aos poucos, os Estigmas em Padre Pio.



Padre Pio recebeu primeiramente os Estigmas de forma invisíveis no dia 20 de Setembro de 1910. Abaixo, temos alguns trechos de Cartas do Padre Pio a seus diretores espirituais. Os Padres; Bento e Agostinho. Vejamos:

Carta 44 - Padre Pio a Padre Bento.
Pietrelcina, 08 de setembro de 1911 
[Padre Pio com pouco mais de 24 anos de idade e 1 de sacerdócio].

... ”Ontem de tarde aconteceu-me uma coisa que não sei explicar e nem compreender. No meio da palma das mãos apareceu um pouco de vermelho quase do tamanho duma moeda, acompanhado também de uma forte e aguda dor no meio daquele pouco de vermelho. Esta dor era mais sensível no meio da mão esquerda, de tal forma que permanece até agora. Também debaixo dos pés sinto um pouco de dor.

Este fenômeno há quase um ano que se repete (logo, os estigmas tiveram início em setembro de 1910), porém agora, já fazia algum tempo que não o sentia. Não se inquiete, porém, se agora, pela primeira vez, lho revelo; porque fui sempre vencido por aquela maldita vergonha. Também agora, se soubesse quanta violência tive que me fazer para dizer-lho! Muitas coisas teria para dizer-lhe, mas falta-me a palavra; digo-lhe somente que as batidas do coração, quando me encontro com Jesus Sacramentado, são muito fortes. Parece-me, às vezes, que queira até saltar-me do peito.

No altar, às vezes, sinto-me tomado de tal calor em toda a pessoa, que não consigo descrever-lho. A vista especialmente parece-me que queira transformar-se toda em fogo. Que sinais sejam esses, padre meu, ignoro-o”... (Epistolario. I, p. 234).

Carta 69 – Padre Pio a Padre Agostinho.
Pietrelcina, 21 de março de 1912.

... “Desde quinta-feira de tarde até sábado, como também na terça-feira é uma tragédia dolorosa para mim. O coração, as mãos e os pés parecem-me que são traspassados por uma espada; tal é a dor que sinto” ... [Nota: aqui Padre Pio não fala expressamente de estigmas, mas as dores estão localizadas exatamente no local dos estigmas]. (Epistolário I, p. 267).

Carta 287 – Padre Agostinho a Padre Pio.
S. Marco la Catola, 30 de setembro de 1915
[ Padre Pio com pouco mais de 28 anos de idade. - Padre Agostinho faz-lhe três perguntas]. 

... “Diz-me: 1º. Desde quando Jesus começou a favorecer-te com celestes visões? 2º. Concedeu-te o dom inefável dos santos estigmas, embora invisíveis? 3º. Fez-te provar e quantas vezes a sua coroação de espinhos e a sua flagelação? Julgo não parecer curioso, pois Jesus vê minha intenção. Tu deves rezar a Ele e responder-me e, embora eu esteja resignado a quanto Jesus quer, insisto e peço uma resposta” ... (Epistolario I, p. 659).

Carta 288 – Padre Pio a Padre Agostinho
Pietrelcina, 4 de outubro de 1915.
[Padre Pio esquiva-se de responder àquelas perguntas].

... “Perdoai-me se não apresento resposta àquelas interrogações que me tendes feito na última vossa. Para dizer-vos a verdade, sinto uma grande repugnância ao escrever sobre essas coisas. Não se poderia, ó padre, contemporizar de momento em dar satisfação às vossas perguntas?” ... (Epistolario I , p. 663).

Carta 289 - Padre Agostinho a Padre Pio 
S.Marco la Catola, 07 de outubro de 1915.
[Padre Agostinho insiste em obter resposta].

... “Pedes-me, enfim, para contemporizar nas respostas aos meus quesitos. Para dizer a verdade, eu sinto no coração o dever de insistir: creio que esta insistência não desagradará a Jesus, nem deves continuar sentindo repugnância em obedecer, porque, não duvides, tudo redundará para glória de Deus e salvação nossa. Caso o desejes, responde-me por meio duma carta reservada: Jesus me fará manter o segredo; tu sabes que nunca falei a não ser a almas às quais Jesus quer e quando Jesus o quer. Porque, então, tanta relutância? Tu deves ser sincero, deves dizer-me tudo: melhor, roga a Jesus que te faça revelar-me também qualquer outra coisa que eu não sei ou não me ocorre pedir-te. Jesus te ajude e te abençoe” ... (Epistolario. I, p. 665 s). 

Carta 290 - Padre Pio a Padre Agostinho.
Pietrelcina, 10 de outubro de 1915.
[ Padre Pio enfim responde às perguntas do diretor espiritual].

...”Em vossa decidida vontade de saber ou melhor de receber resposta àquelas interrogações, não posso não reconhecer a expressa vontade de Deus, e com mão trêmula e coração trasbordante de dor, ignorando a verdadeira causa disso, disponho-me a obedecer-vos.

Pela primeira vossa pergunta, quereis saber quando Jesus começou a favorecer a sua pobre criatura com celestes visões. Se não me engano, estas devem ter iniciado não muito depois do noviciado (nota: noviciado feito de janeiro 1903 a janeiro 1904, entre 16 e 17 anos de idade).

A segunda pergunta é se lhe concedeu o dom inefável dos seus santos estigmas.
A isto deve-se responder afirmativamente, e a primeira vez que Jesus quis digná-lo deste seu favor, foram visíveis, especialmente numa mão, e sendo que esta alma, em razão de tal fenômeno ficou estarrecida, rogou ao Senhor que lhe retirasse um tal fenômeno visível. Daquele momento não apareceram mais: porém, desaparecidas as chagas, nem por isso desapareceu a dor agudíssima que se faz sentir, em especial em alguma circunstância e em determinados dias.

A terceira e última vossa pergunta é: se o Senhor lhe fez provar, e quantas vezes, a sua coroação de espinhos e sua flagelação. A resposta também a esta pergunta deve ser afirmativa; quanto ao número não saberia determiná-lo. Somente o que posso dizer-lhe é que esta alma, há vários anos, padece isso, e quase uma vez por semana.
Parece-me ter-vos obedecido, não é verdade?” ... (Epistolario I, p. 669).



Carta 500 – Padre Pio a Padre Bento
San Giovanni Rotondo, 21 de agosto de 1918.

[Transverberação: 5 a 7 de agosto de 1918 – Padre Pio com pouco mais de 31 anos de idade e 8 de ordenação sacerdotal. Nota: Trata-se duma longa carta dirigida tanto ao Padre Bento como ao Padre Agostinho (com pequenas variantes), pela qual se mostra extremamente angustiado, desolado...]

“... Estou cansado de tanto cansar os guias e os suportes e somente a obediência me serve de amparo para não me abandonar a um abandono completo. Em força desta (obediência) sinto-me induzido a manifestar-vos o que me aconteceu no dia cinco à tarde até o dia seis do corrente. 

Não consigo dizer-vos o que me aconteceu neste período de superlativo martírio. Estava confessando os nossos rapazes (seminaristas capuchinhos) na tarde do dia cinco, quando repentinamente fui tomado por um extremo terror à vista dum personagem celeste que se me apresenta diante do olho da inteligência. Tinha na mão uma espécie de instrumento, semelhante a uma longuíssima lâmina de ferro com uma ponta bem afiada, de cuja ponta parecia lançar fogo.

Ver tudo isso e observar o dito personagem jogar com toda a violência o supracitado instrumento na alma, foi tudo uma coisa só. Com dificuldade emiti um lamento, sentia-me morrer. Disse ao rapaz que se retirasse, porque me sentia mal e não tinha mais forças para continuar.

Este martírio durou, sem interrupção, até a manhã do dia sete. O que sofri neste período tão lutuoso não sei dize-lo. Percebia que até as vísceras eram rasgadas e estraçalhadas com aquele instrumento, e tudo era metido a ferro e fogo. Daquele dia para cá me sinto ferido de morte. Sinto no mais íntimo da alma uma ferida que está sempre aberta, que me causa espasmos constantes.

Não é esta uma nova punição que me é imposta pela justiça divina? Julgai-o vós quanto de verdade há nisto e se eu não tenho todas as razões para temer e de estar numa extrema angústia” ... (Epistolario I, p. 1065 s).

NOTA BENE: 1.“Transverberação, por alguns chamada “assalto do Serafim”, é uma graça santificadora. De acordo com a clássica doutrina de São João da Cruz, a alma “incendiada de amor de Deus” é “interiormente tomada de assalto por um Serafim”, o qual, queimando-a, “traspassa-a até o intimo com um dardo de fogo”. A alma assim ferida é tomada por uma suavidade deliciosíssima, Santa Teresa de Jesus foi protagonista deste extraordinário fenômeno. Também o Padre Pio (como descrito acima). (Epistolario I, p. 148-149). [NOTA: “Após a morte de Santa Teresa de Ávila, seu corpo foi autopsiado, e então a ciência pôde comprovar que o coração estava realmente ferido por um dardo, porém cicatrizado. Hoje ele se conserva numa pequena igreja dos Carmelitas descalços, em Alba de Tomes (Espanha). Antes do Padre Pio, aquele era tido como o caso mais importante de transverberação, codificado nos tratados de teologia mística por São João da Cruz, discípulo de Santa Teresa” – Em Padre Pio, o Santo do Terceiro Milênio, Olivo Cesca, 2ª edição, p. 103, nota 9].
2. Estigmatização: “A transverberação no Padre Pio foi como o prelúdio da estigmatização. Enquanto a primeira é uma graça santificadora, a segunda é antes carismática, concedida por Deus em vantagem dos outros. No nosso caso pode-se também considerá-la como chaga de amor, porque é, por assim dizer, o complemento, a exteriorização e a projeção da ferida da alma” (Epistolario I, p. 152).

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Aquela "visita" do padre Pio à cela do Cardeal Mindszenty.



O fenômeno de bilocação sempre esteve presente na vida do santo estigmatizado. Dessa vez, vamos conhecer um pouco mais sobre a visita que o Padre Pio fez a uma cela em Budapeste, onde estava encarcerado o Cardeal Jozsef Mindszenty, Primaz da Hungria. O episódio, já conhecido, foi imortalizado em um dos mosaico que decoram a cripta do Santuário dedicado ao Padre Pio, mas o depoimento que o descreve em detalhes nunca tinha sido publicado antes.

O livro que traz o título «Padre Pio. La sua chiesa, i suoi luoghi, tra devozione storia e opere d’arte» [“Padre Pio: a sua igreja, os seus lugares, entre a devoção, história e arte”, tradução livre] (Edições Padre Pio de Pietrelcina) foi escrito por Stefano Campanella, diretor da Teleradio Padre Pio e autor de inúmeros ensaios sobre a figura do santo de Gargano.

Cardeal Mindszenty tinha sido preso pelas autoridades comunistas em dezembro de 1948 e condenado à prisão perpétua na Hungria no ano seguinte, depois de um processo falso em que o acusavam de conspirar contra o governo. Depois de oito anos passados no cárcere e em prisão domiciliar, foi libertado durante a revolta popular em 1956, e se refugiou na Embaixada dos EUA em Budapeste, onde permaneceu até 1973, quando o Papa Paulo VI o liberou de sua liderança naquela diocese.

Exatamente naqueles anos mais difíceis ​na prisão é que teria acontecido o fenômeno da bilocação, que teria transportado Padre Pio até lá para levar conforto ao cardeal. Uma das testemunhas diante dos juízes do processo de beatificação de Padre Pio é um dos homens que sempre esteve muito próximo ao frade, Angelo Battisti, diretor da Casa Alívio do Sofrimento e datilógrafo da Secretaria de Estado do Vaticano.

Eis como é descrita a cena da visita do Padre Pio ao Cardeal Mindszenty no livro: “O Capuchinho estigmatizado, enquanto se encontrava em San Giovanni Rotondo, foi até ele para levar-lhe o pão e o vinho destinados a se tornarem o corpo e o sangue de Cristo, isto é, a realidade do oitavo dia; nesse caso, a bilocação adquire ainda mais o significado da antecipação do oitavo dia, ou seja, da Ressurreição, quando o corpo é liberado dos limites do espaço e do tempo. Simbólico é também o número de registro do detento impresso em seu pijama de presidiário: 1956 é o ano da libertação do Cardeal.

“Como é sabido – conta Battisti em seu testemunho nas atas do processo canônico –, o cardeal Mindszenty foi preso, colocado na cadeia e vigiado o tempo todo. Com o passar do tempo, crescia fortemente o seu desejo de poder celebrar a Santa Missa. Uma certa manhã, apresentou-se diante dele o Padre Pio, com tudo que ele precisava. O Cardeal celebra sua Missa e Padre Pio lhe serve [como acólito]; depois se falaram e, no final, Padre Pio desaparece com tudo que havia levado. Um padre vindo de Budapeste me falou confidencialmente sobre o fato, perguntando se eu poderia obter uma confirmação do Padre Pio. E eu disse a ele que se eu tivesse perguntado uma coisa dessas, Padre Pio teria me expulsado aos xingos”.

Mas, numa noite de março em 1965, no final de uma conversa, Battisti pergunta ao frade estigmatizado: “Padre, o Cardeal Mindszenty reconheceu Padre Pio?” Depois de uma primeira reação de irritação, o santo de Gargano respondeu: “Que diabos, nós nos encontramos e conversamos, e você acha que não teria me reconhecido?” Confirmando assim a bilocação ao cárcere que teria acontecido alguns anos antes. “Então — acrescenta Battisti — ele tornou-se triste e acrescentou: O diabo é feio, mas o haviam deixado mais feio que o diabo”.

O que demonstra que o Padre o havia socorrido desde o início de sua prisão, porque não se pode conceber, humanamente falando, como o Cardeal foi capaz de resistir a todo o sofrimento a que foi submetido e que ele descreve em suas memórias. O Padre então concluiu: “Lembre-se de orar por esse grande confessor da fé, que tanto sofreu pela  Igreja.”