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quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Segue-me!

 

"Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do pagamento das taxas. Disse-lhe: “Se­gue-me”. O homem levantou-se e o seguiu." Mateus 9, 9.

O chamado de Mateus. 1599-1600, por Caravaggio.

No último dia do mês de agosto, mês que a Igreja dedica a refletir sobre a vocação queremos meditar no chamado de Mateus. O nome desse apostolo é Levi, conhecido por filho de Alfeu, conforme narra para nós os evangelistas Marcos e Lucas. 

Levi era um cobrador de impostos, até hoje não se sabe se ele era um contratado do Império Romano para pegar impostos de uma região ou se era um cobrador de pedágios para Herodes Antipas, cobrando daqueles que queriam entrar em partes da palestina. Essa ideia também é válida, pois, Cafarnaum era uma região de grande tráfego de pessoas e mercadorias na época. Seja como for, o que sabemos é que ele ocupava um cargo de destaque e que era detestado pelos judeus porque os cobradores de impostos eram visto como pessoas corruptas, que enriqueciam as custas do povo.

É dentro desse contexto que Levi sente o chamado. Jesus está passando, e no caminho, encontra Levi na coletoria de impostos. Jesus simplesmente olha para Mateus e diz: "Segue-me". Jesus não faz mais considerações, nas faz grandes garantias, apenas convida e Levi, simplesmente se levanta e acompanha Jesus. Portanto, não espere as condições perfeitas para seguir Jesus. Não espere o melhor ambiente, as melhores propostas...  Pois o bom êxito de sua vocação não depende unicamente de você, mas, é a graça de Deus que nos auxilia em nossa caminhada. Ou seja, quando a graça de Deus encontra um coração aberto e acolhedor o resultado é fantástico, vemos os frutos dessa vocação.

Após o encontro pessoal com Cristo Levi muda de nome passa a se chamar Mateus. Na Bíblia, o nome significa a identidade da pessoa. Ou seja, ao ter o seu nome mudado isso indica que Levi decide abandonar a vida velha e passa a acolher a vida nova de Cristo. E você, o que precisa abrir mão para acolher a graça de Deus em sua vida, para abraçar a sua vocação? Pare de criar desculpas hoje mesmo e faça igual a Mateus, apenas responda a graça de Deus em sua vida e você encontrará a verdadeira alegria.

Autor: Darlan Dias.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Conheça o Documento preparatório do Sínodo 2023.

Uma reunião do Sínodo dos bispos.


Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão

1. A Igreja de Deus é convocada em Sínodo. O caminho, intitulado «Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão», iniciará solenemente nos dias 9-10 de outubro de 2021, em Roma, e a 17 de outubro seguinte, em cada uma das Igrejas particulares. Uma etapa fundamental será a celebração da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2023,[1] a que se seguirá a fase de execução, que envolverá novamente as Igrejas particulares (cf. EC, art. 19-21). Com esta convocação, o Papa Francisco convida a Igreja inteira a interrogar-se sobre um tema decisivo para a sua vida e a sua missão: «O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio».[2] Este itinerário, que se insere no sulco da “atualização” da Igreja, proposta pelo Concílio Vaticano II, constitui um dom e uma tarefa: caminhando lado a lado e refletindo em conjunto sobre o camino percorrido, com o que for experimentando, a Igreja poderá aprender quais são os procesos que a podem ajudar a viver a comunhão, a realizar a participação e a abrir-se à missão. Com efeito, o nosso “caminhar juntos” é o que mais implementa e manifesta a natureza da Igreja como Povo de Deus peregrino e missionário.

2. Uma interrogação fundamental impele-nos e orienta-nos: como se realiza hoje, a diferentes níveis (do local ao universal) aquele “caminhar juntos” que permite à Igreja anunciar o Evangelho, em conformidade com a missão que lhe foi confiada; e que passos o Espírito nos convida a dar para crescer como Igreja sinodal?

Enfrentar juntos esta interrogação exige que nos coloquemos à escuta do Espírito Santo que, como o vento, «sopra onde quer; ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai» (Jo 3, 8), permanecendo abertos às surpresas para as quais certamente nos predisporá ao longo do caminho. Ativa-se deste modo um dinamismo que permite começar a colher alguns frutos de uma conversão sinodal, que amadurecerão progressivamente. Trata-se de objetivos de grande relevância para a qualidade da vida eclesial e para o cumprimento da missão de evangelização, na qual todos nós participamos em virtude do Batismo e da Confirmação. Indicamos aqui os principais, que enunciam a sinodalidade como forma, como estilo e como estrutura da Igreja:

·         fazer memória do modo como o Espírito orientou o caminho da Igreja ao longo da história e como hoje nos chama a ser, juntos, testemunhas do amor de Deus;

·         viver um processo eclesial participativo e inclusivo, que ofereça a cada um – de maneira particular àqueles que, por vários motivos, se encontram à margem – a oportunidade de se expressar e de ser ouvido, a fim de contribuir para a construção do Povo de Deus;

·         reconhecer e apreciar a riqueza e a variedade dos dons e dos carismas que o Espírito concede em liberdade, para o bem da comunidade e em benefício de toda a família humana;

·         experimentar formas participativas de exercer a responsabilidade no anúncio do Evangelho e no compromisso para construir um mundo mais belo e mais habitável;

·         examinar como são vividos na Igreja a responsabilidade e o poder, e as estruturas mediante as quais são geridos, destacando e procurando converter preconceitos e práticas distorcidas que não estão enraizadas no Evangelho;

·         credenciar a comunidade cristã como sujeito credível e parceiro fiável em percursos de diálogo social, cura, reconciliação, inclusão e participação, reconstrução da democracia, promoção da fraternidade e da amizade social;

·         regenerar as relações entre os membros das comunidades cristãs, assim como entre as comunidades e os demais grupos sociais, por exemplo, comunidades de crentes de outras confissões e religiões, organizações da sociedade civil, movimentos populares, etc;

·         favorecer a valorização e a apropriação dos frutos das recentes experiências sinodais nos planos universal, regional, nacional e local.

3. O presente Documento Preparatório põe-se ao serviço do caminho sinodal, de modo especial como instrumento para favorecer a primeira fase de escuta e consulta do Povo de Deus nas Igrejas particulares (outubro de 2021 – abril de 2022), na esperança de contribuir para colocar em movimento as ideias, as energias e a criatividade de todos aqueles que participarem no itinerário, e facilitar a partilha dos frutos do seu compromisso. Para esta finalidade: 1) começa por delinear algumas caraterísticas salientes do contexto contemporâneo; 2) explica resumidamente as referências teológicas fundamentais para uma correta compreensão e prática da sinodalidade; 3) oferece algumas indicações bíblicas que poderão alimentar a meditação e a reflexão orante ao longo do caminho; 4) descreve certas perspetivas a partir das quais reler as experiências de sinodalidade vivida; 5) expõe determinadas indicações para articular este trabalho de releitura na oração e na partilha. Para acompanhar concretamente a organização dos trabalhos, propõe-se um Vade-mécum metodológico, anexado ao presente Documento Preparatório e disponível no site dedicado.[3] O site oferece alguns recursos para o aprofundamento do tema da sinodalidade, como apoio a este Documento Preparatório; entre eles destacamos dois, em seguida mencionados várias vezes: o Discurso na Comemoração do cinquentenário da instituição do Sínodo dos Bispos, pronunciado pelo Papa Francisco no dia 17 de outubro de 2015, e o documento A sinodalidade na vida e na missão da Igreja, elaborado pela Comissão Teológica Internacional e publicado em 2018.

I. Apelo a caminhar juntos

4. O caminho sinodal desenvolve-se num contexto histórico, marcado por mudanças epocais na sociedade e por uma passagem crucial na vida da Igreja, que não é possível ignorar: é nas dobras da complexidade deste contexto, nas suas tensões e contradições, que somos chamados «a investigar os sinais dos tempos e a interpretá-los à luz do Evangelho» (GS, n. 4). Delineiam-se aqui alguns elementos do cenário global mais intimamente ligados ao tema do Sínodo, mas o quadro deverá ser enriquecido e completado a nível local.

5. Uma tragédia global como a pandemia de Covid-19 «despertou, por algum tempo, a consciência de sermos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos. Recordamo-nos de que ninguém se salva sozinho, que só é possível salvar-nos juntos» (FT, n. 32). Ao mesmo tempo, a pandemia fez eclodir as desigualdades e as disparidades já existentes: a humanidade parece estar cada vez mais abalada por processos de massificação e fragmentação; a trágica condição que os migrantes vivem em todas as regiões do mundo testemunha quão elevadas e vigorosas ainda são as barreiras que dividem a única família humana. As Encíclicas Laudato si' e Fratelli tutti documentam a profundidade das fraturas que atravessam a humanidade, e podemos referir-nos a tais análises para nos colocarmos à escuta do clamor dos pobres e da terra e para reconhecer as sementes de esperança e de futuro que o Espírito continua a fazer germinar inclusive no nosso tempo: «O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem se arrepende de nos ter criado. A humanidade ainda possui a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum» (LS, n. 13).

6.                      Esta situação que, não obstante as grandes diferenças, irmana toda a família humana, desafia a capacidade da Igreja de acompanhar as pessoas e as comunidades a reler experiências de luto e sofrimento, que desmascararam muitas falsas certezas, e a cultivar a esperança e a fé na bondade do Criador e da sua criação. No entanto, não podemos negar que a própria Igreja deve enfrentar a falta de fé e a corrupção, inclusive no seu interior. Em particular, não podemos esquecer o sofrimento vivido por menores e pessoas vulneráveis «por causa de abusos sexuais, de poder e de consciência cometidos por um número notável de clérigos e pessoas consagradas».[4] Somos continuamente interpelados, «como Povo de Deus, a assumir a dor de nossos irmãos feridos na sua carne e no seu espírito».[5] Durante demasiado tempo, o grito das vítimas foi um clamor que a Igreja não soube ouvir suficientemente. Trata-se de feridas profundas, que dificilmente se cicatrizam, pelas quais nunca se pedirá perdão suficiente, e que constituem obstáculos, às vezes imponentes, para prosseguir na direção do “caminhar juntos”. A Igreja inteira é chamada a confrontar-se com o peso de uma cultura impregnada de clericalismo, que ela herdou da sua história, e de formas de exercício da autoridade nas quais se insinuam os vários tipos de abuso (de poder, económico, de consciência, sexual). É impensável «uma conversão do agir eclesial sem a participação ativa de todos os membros do Povo de Deus»:[6] juntos, peçamos ao Senhor «a graça da conversão e da unção interior para poder expressar, diante desses crimes de abuso, a nossa compunção e a nossa decisão de lutar com coragem».[7]

7.                      A despeito das nossas infidelidades, o Espírito continua a agir na história e a manifestar o seu poder vivificante. É precisamente nos sulcos cavados pelos sofrimentos de todos os tipos, suportados pela família humana e pelo Povo de Deus, que florescem novas linguagens da fé e renovados percursos, capazes não apenas de interpretar os acontecimentos de um ponto de vista teologal, mas de encontrar na provação as razões para voltar a fundar o caminho da vida cristã e eclesial. É motivo de grande esperança que não poucas Igrejas já tenham iniciado encontros e processos de consulta do Povo de Deus, mais ou menos estruturados. Onde eles se distinguiram por um estilo sinodal, o sentido de Igreja voltou a florescer e a participação de todos deu renovado impulso à vida eclesial. Também encontram confirmação o desejo de protagonismo no seio da Igreja por parte dos jovens, e o pedido de uma maior valorização das mulheres e de espaços de participação na missão da Igreja, já apontados pelas Assembleias sinodais de 2018 e de 2019. Nesta linha vão também a recente instituição do ministério laical do catequista e a abertura às mulheres do acesso aos ministérios do leitorado e do acolitado.

8. Não podemos ignorar a variedade das condições em que as comunidades cristãs vivem nas diferentes regiões do mundo. Ao lado dos países em que a Igreja acolhe a maioria da população, representando um ponto de referência cultural para toda a sociedade, existem outros em que os católicos constituem uma minoria; nalguns deles os, católicos, em conjunto com outros cristãos, experimentam formas de perseguição até muito violentas, e não raro o martírio. Se, por um lado, predomina uma mentalidade secularizada que tende a eliminar a religião do espaço público, por outro lado, existe um fundamentalismo religioso que não respeita as liberdades dos outros, alimentando formas de intolerância e de violência que se refletem também na comunidade cristã e nas suas relações com a sociedade. Não raramente, os cristãos adotam as mesmas atitudes, fomentando inclusive divisões e contraposições, até na Igreja. É igualmente necessário ter em consideração o modo como as fraturas que atravessam a sociedade se repercutem no seio da comunidade cristã e nas suas relações com a própria sociedade, por razões étnicas, raciais, de casta ou devido a outras formas de estratificação social ou de violência cultural e estrutural. Tais situações têm um impacto profundo sobre o significado da expressão “caminhar juntos” e sobre as possibilidades concretas de as pôr em prática.

9. Neste contexto, a sinodalidade representa a via mestra para a Igreja, chamada a renovar-se sob a ação do Espírito e graças à escuta da Palavra. A capacidade de imaginar um futuro diferente para a Igreja e para as suas instituições, à altura da missão recebida, depende em grande medida da escolha de encetar processos de escuta, diálogo e discernimento comunitário, em que todos e cada um possam participar e contribuir. Ao mesmo tempo, a escolha de “caminhar juntos” constitui um sinal profético para uma família humana que tem necessidade de um projeto comum, apto a perseguir o bem de todos. Uma Igreja capaz de comunhão e de fraternidade, de participação e de subsidiariedade, em fidelidade ao que anuncia, poderá colocar-se ao lado dos pobres e dos últimos, emprestando-lhes a própria voz. Para “caminhar juntos”, é necessário que nos deixemos educar pelo Espírito para uma mentalidade verdadeiramente sinodal, entrando com coragem e liberdade de coração num processo de conversão, sem o qual não será possível aquela «reforma perene da qual ela [a Igreja], como instituição humana e terrena, necessita perpetuamente» (UR, n. 6; cf. EG, n. 26).

II. Uma Igreja constitutivamente sinodal

10. «Aquilo que o Senhor nos pede, de certo modo está já tudo contido na palavra “Sínodo”»,[8] que «é palavra antiga e veneranda na Tradição da Igreja, cujo significado recorda os conteúdos mais profundos da Revelação».[9] É o «Senhor Jesus que se apresenta a si mesmo como “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6)», e «os cristãos, na sua sequela, são originariamente chamados “os discípulos do caminho” (cf. At 9, 2; 19, 9.23; 22, 4; 24, 14.22)».[10] Nesta perspetiva, a sinodalidade é muito mais do que a celebração de encontros eclesiais e assembleias de Bispos, ou uma questão de simples administração interna da Igreja; ela «indica o específico modus vivendi et operandi da Igreja, o Povo de Deus, que manifesta e realiza concretamente o ser comunhão no caminhar juntos, no reunir-se em assembleia e no participar ativamente de todos os seus membros na sua missão evangelizadora».[11] Entrelaçam-se assim aqueles que o título do Sínodo propõe como eixos fundamentais de uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão. Neste capítulo explicamos sumariamente algumas referências teológicas essenciais em que esta perspetiva se fundamenta.

11. No primeiro milénio, “caminhar juntos”, ou seja, praticar a sinodalidade, era a maneira habitual de proceder da Igreja, entendida como «Povo reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo».[12] Àqueles que dividiam o corpo eclesial, os Padres da Igreja opuseram a comunhão das Igrejas espalhadas pelo mundo, que Santo Agostinho descrevia como «concordissima fidei conspiratio»,[13] isto é, o acordo na fé entre todos os Batizados. É aqui que se arraiga o amplo desenvolvimento de uma prática sinodal a todos os níveis da vida da Igreja – local, provincial, universal – que encontrou a sua mais excelsa manifestação no concílio ecuménico. Foi neste horizonte eclesial, inspirado no princípio da participação de todos na vida da Igreja, que São João Crisóstomo pôde dizer: «Igreja e Sínodo são sinónimos».[14] Este modo de proceder não esmoreceu nem sequer no segundo milénio, quando a Igreja evidenciou em maior medida a função hierárquica: se na idade média e na época moderna é bem atestada a celebração dos sínodos diocesanos e provinciais, assim como a dos concílios ecuménicos, quando se tratava de definir verdades dogmáticas, os Papas queriam consultar os Bispos, para conhecer a fé de toda a Igreja, recorrendo à autoridade do sensus fidei de todo o Povo de Deus, que é «infalível “in credendo”» (EG, n. 119).

12. O Concílio Vaticano II ancorou-se neste dinamismo da Tradição. Ele põe em evidência que «aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que o conhecesse na verdade e o servisse santamente» (LG, n. 9). Os membros do Povo de Deus são irmanados pelo Batismo e «ainda que, por vontade de Cristo, alguns sejam constituídos doutores, dispensadores dos mistérios e pastores em favor dos demais, reina, porém, igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os Fiéis, a favor da edificação do corpo de Cristo» (LG, n. 32). Por conseguinte, todos os Batizados, participantes na função sacerdotal, profética e real de Cristo, «no exercício da multiforme e ordenada riqueza dos seus carismas, das suas vocações, dos seus ministérios»,[15] são sujeitos ativos de evangelização, quer individualmente quer como totalidade do Povo de Deus.

13. O Concílio ressaltou que, em virtude da unção do Espírito Santo recebida no Batismo, a totalidade dos Fiéis «não pode enganar-se na fé; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé do Povo todo quando este, “desde os Bispos até ao último dos Fiéis leigos”, manifesta o consenso universal em matéria de fé e de moral» (LG, n. 12). É o Espírito que guia os crentes para «toda a verdade» (Jo 16, 13). Pela sua obra, «a Tradição apostólica progride na Igreja», porque todo o Povo santo de Deus cresce na compreensão e na experiência, «tanto das coisas como das palavras transmitidas, quer graças à contemplação e ao estudo dos crentes, que as meditam no seu coração (cf. Lc 2, 19. 51), quer graças à íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, quer graças à pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade» (DV, n. 8). Com efeito, este Povo, reunido pelos seus Pastores, adere ao depósito sagrado da Palavra de Deus confiado à Igreja, persevera constantemente no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e na oração, «de tal modo que, na conservação, atuação e profissão da fé transmitida, haja uma especial concordância de espírito entre os Pastores e os Fiéis»  (DV, n. 10).

14. Por isso, os Pastores, constituídos por Deus «como autênticos guardiões, intérpretes e testemunhas da fé de toda a Igreja»,[16] não tenham medo de se colocar à escuta da Grei que lhes for confiada: a consulta do Povo de Deus não exige a assunção, no seio da Igreja, dos dinamismos da democracia centrados no princípio de maioria, uma vez que na base da participação em qualquer processo sinodal está a paixão partilhada pela missão comum de evangelização, e não a representação de interesses em conflito. Por outras palavras, trata-se de um processo eclesial, que só pode realizar-se «no seio de uma comunidade hierarquicamente estruturada».[17] É na fecunda ligação entre o sensus fidei do Povo de Deus e a função magisterial dos Pastores que se realiza o consenso unânime de toda a Igreja na mesma fé. Cada processo sinodal, em que os Bispos são chamados a discernir aquilo que o Espírito diz à Igreja, não sozinhos, mas ouvindo o Povo de Deus, que «participa também da função profética de Cristo» (LG, n. 12), constitui uma forma evidente daquele «caminhar juntos» que faz crescer a Igreja. São Bento salienta que «muitas vezes o Senhor revela a melhor decisão»[18] a quem não ocupa posições relevantes na comunidade (neste caso, o mais jovem); assim, os Bispos tenham o cuidado de alcançar todos, a fim de que no desenrolar ordenado do caminho sinodal se realize aquilo que o apóstolo Paulo recomenda às comunidades: «Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçai o que é bom» (1 Ts 5, 19-21).

15. O sentido do caminho ao qual todos somos chamados consiste, antes de mais nada, em descobrir o rosto e a forma de uma Igreja sinodal, em que «cada um tem algo a aprender. Povo fiel, Colégio episcopal, Bispo de Roma: cada um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo, o “Espírito da verdade” (Jo 14, 17), para conhecer aquilo que Ele “diz às Igrejas” (Ap 2, 7)».[19] O Bispo de Roma, como princípio e fundamento de unidade da Igreja, pede que todos os Bispos e todas as Igrejas particulares, nas quais e a partir das quais existe a Igreja católica una e única (cf. LG, n. 23), entrem com confiança e coragem no caminho da sinodalidade. Neste “caminhar juntos”, peçamos ao Espírito que nos leve a descobrir como a comunhão, que compõe na unidade a variedade dos dons, dos carismas e dos ministérios, tem em vista a missão: uma Igreja sinodal é uma Igreja “em saída”, uma Igreja missionária, «com as portas abertas» (EG, n. 46). Isto inclui a chamada a aprofundar as relações com as outras Igrejas e comunidades cristãs, com as quais estamos unidos mediante o único Batismo. Além disso, a perspetiva de “caminhar juntos” é ainda mais ampla e abrange toda a humanidade, da qual compartilhamos «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias» (GS, n. 1). Uma Igreja sinodal é um sinal profético sobretudo para uma comunidade de nações incapaz de propor um projeto partilhado, através do qual perseguir o bem de todos: praticar a sinodalidade é, hoje para a Igreja, a maneira mais evidente de ser «sacramento universal da salvação» (LG, n. 48), «sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (LG, n. 1).

III. À escuta das Escrituras

16. O Espírito de Deus, que ilumina e vivifica este “caminhar juntos” das Igrejas, é o mesmo que atua na missão de Jesus, prometido aos Apóstolos e às gerações de discípulos que ouvirem a Palavra de Deus e que a puserem em prática. Em conformidade com a promessa do Senhor, o Espírito não se limita a confirmar a continuidade do Evangelho de Jesus, mas iluminará as profundidades sempre novas da sua Revelação e inspirará as decisões necessárias para sustentar o caminho da Igreja (cf. Jo 14, 25-26; 15, 26-27; 16, 12-15). Por este motivo, é oportuno que o nosso caminho de construção de uma Igreja sinodal se deixe inspirar por duas “imagens” da Escritura. Uma sobressai na representação da “cena comunitária” que acompanha constantemente o caminho da evangelização; a outra refere-se à experiência do Espírito, em que Pedro e a comunidade primitiva reconhecem o risco de colocar limites injustificados à partilha da fé. A experiência sinodal do caminhar juntos, no seguimento do Senhor e em obediência ao Espírito, poderá receber uma inspiração decisiva da meditação a respeito destes dois momentos da Revelação.

Jesus, a multidão, os apóstolos

17. Na sua estrutura fundamental, uma cena original aparece como a constante do modo como Jesus se revela ao longo de todo o Evangelho, anunciando o advento do Reino de Deus. Os atores em jogo são essencialmente três (mais um). Naturalmente, o primeiro é Jesus, o protagonista absoluto que toma a iniciativa, semeando as palavras e os sinais da vinda do Reino, sem «preferência de pessoas» (cf. At 10, 34). De várias maneiras, Jesus presta especial atenção aos “separados” de Deus e aos “abandonados” pela comunidade (na linguagem evangélica, os pecadores e os pobres). Com as suas palavras e as suas ações, oferece a libertação do mal e a conversão à esperança, em nome de Deus Pai e na força do Espírito Santo. Não obstante a diversidade das chamadas e das respostas de acolhimento do Senhor, a caraterística comum é que a fé emerge sempre como valorização da pessoa: a sua súplica é ouvida, à sua dificuldade presta-se ajuda, a sua disponibilidade é apreciada, a sua dignidade é confirmada pelo olhar de Deus e restituída ao reconhecimento da comunidade.

18. Com efeito, a ação de evangelização e a mensagem de salvação não seriam compreensíveis sem a abertura constante de Jesus ao interlocutor mais vasto possível, que os Evangelhos indicam como a multidão, ou seja, o conjunto de pessoas que o seguem ao longo do caminho, e às vezes até o perseguem, na esperança de um sinal e de uma palavra de salvação: eis o segundo ator da cena da Revelação. O anúncio evangélico não se dirige unicamente a poucos iluminados ou escolhidos. O interlocutor de Jesus é “o povo” da vida comum, o “qualquer um” da condição humana, que Ele coloca diretamente em contacto com o dom de Deus e a chamada à salvação. De um modo que surpreende e às vezes escandaliza as testemunhas, Jesus aceita como interlocutores todos aqueles que sobressaem da multidão: ouve a lamentação apaixonada da mulher cananeia (cf. Mt 15, 21-28), que não pode aceitar ser excluída da bênção que Ele traz; abandona-se ao diálogo com a Samaritana (cf. Jo 4, 1-42), não obstante a sua condição de mulher social e religiosamente comprometida; solicita o ato de fé livre e reconhecido do cego de nascença (cf. Jo 9), que a religião oficial tinha descartado como alheio ao perímetro da graça.

19. Alguns seguem Jesus mais explicitamente, experimentando a fidelidade do discipulado, ao passo que outros são convidados a regressar à sua vida quotidiana: no entanto, todos dão testemunho da força da fé que os salvou (cf. Mt 15, 28). Entre aqueles que seguem Jesus, destaca-se nitidamente a figura dos apóstolos, aos quais Ele próprio chama desde o início, destinando-os à mediação autorizada da relação da multidão com a Revelação e com o advento do Reino de Deus. A entrada em cena deste terceiro ator não se verifica graças a uma cura ou conversão, mas coincide com o chamamento de Jesus. A eleição dos apóstolos não é o privilégio de uma posição exclusiva de poder e de separação, mas sim a graça de um ministério inclusivo de bênção e de comunhão. Graças ao dom do Espírito do Senhor ressuscitado, eles devem salvaguardar o lugar de Jesus, sem o substituir: não para colocar filtros à sua presença, mas para facilitar o seu encontro.

20. Jesus, a multidão na sua variedade, os apóstolos: eis a imagem e o mistério a contemplar e aprofundar continuamente, a fim de que a Igreja se torne cada vez mais aquilo que é. Nenhum dos três atores pode abandonar a cena. Se Jesus não estiver presente e outra pessoa ocupar o seu lugar, a Igreja tornar-se-á um contrato entre os apóstolos e a multidão, cujo diálogo acabará por seguir o enredo do jogo político. Sem os apóstolos, autorizados por Jesus e instruídos pelo Espírito, a relação com a verdade evangélica interrompe-se e a multidão permanece exposta a um mito ou a uma ideologia a respeito de Jesus, quer o aceite quer o rejeite. Sem a multidão, a relação dos apóstolos com Jesus corrompe-se numa forma sectária e autorreferencial de religião, e a evangelização perde a sua luz, que provém da revelação de si que Deus dirige a quem quer que seja, diretamente, oferecendo-lhe a sua salvação.

21. Além disso, há o ator “extra”, o antagonista, que traz à cena a separação diabólica dos outros três. Diante da perspetiva inquietadora da cruz, há discípulos que vão embora e multidões que mudam de humor. A ameaça que divide e, por conseguinte, impede um caminho comum, manifesta-se indiferentemente sob as formas do rigor religioso, da injunção moral, que se revela mais exigente que a de Jesus, e da sedução de uma sabedoria política mundana, que se julga mais eficaz que um discernimento dos espíritos. Para evitar os enganos do “quarto ator”, é necessária uma conversão contínua. A este propósito, é emblemático o episódio do centurião Cornélio (cf. At 10), precedente ao “concílio” de Jerusalém (cf. At 15), que constitui um ponto de referência crucial para uma Igreja sinodal.

Uma dupla dinâmica de conversão: Pedro e Cornélio (At 10)

22. O episódio narra antes de mais nada a conversão de Cornélio, que chega a receber uma espécie de anunciação. Cornélio é pagão, presumivelmente romano, centurião (oficial de baixa patente) do exército de ocupação, que exerce uma profissão baseada na violência e no abuso. No entanto, dedica-se à oração e à esmola, ou seja, cultiva a relação com Deus e cuida do próximo. De modo surpreendente, o anjo entra precisamente nele, chama-o pelo nome e exorta-o a enviar – o verbo da missão! – os seus servos a Jafa para chamar – o verbo da vocação! – Pedro. Então, a narração torna-se a da conversão deste último, que naquele mesmo dia recebeu uma visão em que uma voz lhe ordena que mate e coma animais, alguns dos quais impuros. A sua resposta é decisiva: «De modo algum, Senhor!» (At 10, 14). Reconhece que é o Senhor quem fala com ele, mas opõe-se-lhe com uma clara rejeição, dado que aquela ordem destrói preceitos da Torá que são irrenunciáveis para a sua identidade religiosa, e que exprimem um modo de entender a eleição como diferença que implica separação e exclusão em relação aos outros povos.

23. O apóstolo permanece profundamente consternado e, enquanto se interroga sobre o sentido do que tinha acontecido, chegam os homens enviados por Cornélio, que o Espírito lhe indica como seus enviados. Pedro responde-lhes com palavras que evocam as de Jesus no horto: «Eu sou aquele a quem procurais» (At 10, 21). Trata-se de uma verdadeira conversão, uma passagem dolorosa e imensamente frutuosa para sair das próprias categorias culturais e religiosas: Pedro aceita alimentar-se com pagãos da comida que sempre tinha considerado proibida, reconhecendo-a como instrumento de vida e de comunhão com Deus e com o próximo. É no encontro com as pessoas, acolhendo-as, caminhando com elas e entrando nas suas casas, que ele se dá conta do significado da sua visão: nenhum ser humano é indigno aos olhos de Deus e a diferença instituída pela eleição não é preferência exclusiva, mas sim serviço e testemunho de alcance universal.

24. Tanto Cornélio como Pedro envolvem outras pessoas no seu percurso de conversão, fazendo delas companheiros de caminho. A ação apostólica cumpre a vontade de Deus, criando comunidade, derrubando barreiras e promovendo o encontro. A palavra desempenha um papel central no encontro entre os dois protagonistas. Cornélio começa a compartilhar a experiência que viveu. Pedro ouve-o e em seguida toma a palavra, comunicando por sua vez o que lhe aconteceu e testemunhando a proximidade do Senhor, que vai ao encontro de cada pessoa para a libertar daquilo que a torna prisioneira do mal e mortifica a sua humanidade (cf. At 10, 38). Esta maneira de comunicar é semelhante àquela que Pedro adotará quando, em Jerusalém, os fiéis circuncidados o repreenderão, acusando-o de ter transgredido as normas tradicionais, nas quais toda a atenção deles parece estar concentrada, menosprezando a efusão do Espírito: «Por que entraste na casa de incircuncisos e comeste com eles?» (At 11, 3). Naquele momento de conflito, Pedro descreve o que lhe aconteceu, assim como as suas reações de consternação, incompreensão e resistência. É exatamente isto que ajudará os seus interlocutores, inicialmente agressivos e refratários, a ouvir e a aceitar o que aconteceu. A Escritura contribuirá para interpretar o sentido disto, como sucessivamente acontecerá no “concílio” de Jerusalém, num processo de discernimento que é uma escuta em comum do Espírito.

IV. A sinodalidade em ação:

roteiros para a consulta do Povo de Deus

25. Iluminado pela Palavra e fundamentado na Tradição, o caminho sinodal enraíza-se na vida concreta do Povo de Deus. Com efeito, apresenta uma peculiaridade que é igualmente um recurso extraordinário: o seu objeto – a sinodalidade – é também o seu método. Em síntese, constitui uma espécie de estaleiro de obras ou experiência-piloto, que permite começar a colher imediatamente os frutos do dinamismo que a progressiva conversão sinodal introduz na comunidade cristã. Por outro lado, não pode deixar de se referir às experiências de sinodalidade vivida, a vários níveis e com diferentes graus de intensidade: os seus pontos fortes e os seus sucessos, assim como os seus limites e as suas dificuldades, oferecem elementos preciosos para o discernimento sobre a direção na qual continuar a caminhar. Aqui, certamente, faz-se referência às experiências ativadas pelo presente caminho sinodal, mas também a todas aquelas em que já se experimentam formas de “caminhar juntos” na vida do dia a dia, mesmo quando o termo sinodalidade nem sequer é conhecido ou utilizado.

A questão fundamental

26. A interrogação fundamental que orienta esta consulta do Povo de Deus, como já foi recordado no início, é a seguinte:

Anunciando o Evangelho, uma Igreja sinodal “caminha em conjunto”: como é que este “caminhar juntos” se realiza hoje na vossa Igreja particular? Que passos o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

Para dar uma resposta, sois convidados a:

perguntar-vos que experiências da vossa Igreja particular a interrogação fundamental vos traz à mente?

reler estas experiências mais profundamente: que alegrias proporcionaram? Que dificuldades e obstáculos encontraram? Que feridas fizeram emergir? Que intuições suscitaram?

colher os frutos para compartilhar: onde, nestas experiências, ressoa a voz do Espírito? O que ela nos pede? Quais são os pontos a confirmar, as perspetivas de mudança, os passos a dar? Onde alcançamos um consenso? Que caminhos se abrem para a nossa Igreja particular?

Diferentes articulações da sinodalidade


27. Na oração, reflexão e partilha suscitadas pela interrogação fundamental, é oportuno ter em consideração três níveis em que a sinodalidade se articula como «dimensão constitutiva da Igreja»:[20]

·         o plano do estilo em que a Igreja normalmente vive e atua, que exprime a sua natureza de Povo de Deus a caminho em conjunto e que se reúne em assembleia, convocado pelo Senhor Jesus na força do Espírito Santo para anunciar o Evangelho. Este estilo realiza-se através «da escuta comunitária da Palavra e da celebração da Eucaristia, da fraternidade da comunhão e da corresponsabilidade e participação de todo o povo de Deus, nos seus vários níveis e na distinção dos diversos ministérios e funções, na sua vida e na sua missão»;[21]

·         o plano das estruturas e dos processos eclesiais, determinados inclusive dos pontos de vista teológico e canónico, em que a natureza sinodal da Igreja se manifesta de maneira institucional a nível local, regional e universal;

·         o plano dos processos e eventos sinodais em que a Igreja é convocada pela autoridade competente, em conformidade com procedimentos específicos, determinados pela disciplina eclesiástica.

Embora sejam distintos de um ponto de vista lógico, estes três planos referem-se uns aos outros e devem manter-se unidos de maneira coerente, caso contrário transmite-se um contratestemunho, minando a credibilidade da Igreja. Com efeito, se não se encarnar em estruturas e processos, o estilo da sinodalidade degrada-se facilmente do nível das intenções e dos desejos para aquele da retórica: enquanto processos e eventos, se não forem animados por um estilo adequado, não passam de formalidades vazias.

28. Além disso, na releitura das experiências, é necessário ter em consideração que “caminhar juntos” pode ser entendido de acordo com duas perspetivas diferentes, fortemente interligadas. A primeira diz respeito à vida interna das Igrejas particulares, às relações entre os indivíduos que as constituem (em primeiro lugar, aquela entre os Fiéis e os seus Pastores, também através dos organismos de participação previstos pela disciplina canónica, incluindo o sínodo diocesano) e às comunidades em que se subdividem (de modo particular as paróquias). Em seguida, considera as relações dos Bispos entre si e com o Bispo de Roma, inclusive através dos organismos intermediários de sinodalidade (Sínodos dos Bispos das Igrejas patriarcais e arquiepiscopais maiores, Conselhos de Hierarcas e Assembleias de Hierarcas das Igrejas sui iuris, Conferências Episcopais, com as suas expressões nacionais, internacionais e continentais). Por conseguinte, estende-se à maneira como cada uma das Igrejas particulares integra em si mesma a contribuição das várias formas de vida monástica, religiosa e consagrada, de associações e movimentos laicais, de instituições eclesiais e eclesiásticas de diferentes tipos (escolas, hospitais, universidades, fundações, instituições de caridade e de assistência, etc.). Para finalizar, esta perspetiva abrange também as relações e as iniciativas comuns com os irmãos e as irmãs das demais Confissões cristãs, com os quais partilhamos o dom do mesmo Batismo.


29. A segunda perspetiva tem em consideração o modo como o Povo de Deus caminha em conjunto com toda a família humana. Assim, o olhar contemplará o estado das relações, do diálogo e das eventuais iniciativas comuns com os crentes de outras religiões, com as pessoas afastadas da fé e igualmente com ambientes e grupos sociais específicos, com as respetivas instituições (mundo da política, da cultura, da economia, das finanças, do trabalho, sindicatos e associações empresariais, organizações não governamentais e da sociedade civil, movimentos populares, minorias de vários tipos, pobres e excluídos, etc.).


Dez núcleos temáticos a aprofundar


30. Para ajudar a fazer emergir as experiências e a contribuir de maneira mais rica para a consulta, em seguida indicamos também dez núcleos temáticos que abordam diferentes aspetos da “sinodalidade vivida”. Deverão adaptar-se aos diferentes contextos locais e, periodicamente, ser integrados, explicados, simplificados e aprofundados, prestando atenção particular a quantos têm mais dificuldade em participar e responder: o Vade-mécum que acompanha este Documento Preparatório oferece instrumentos, percursos e sugestões, a fim de que os diferentes núcleos de interrogações inspirem concretamente momentos de oração, formação, reflexão e intercâmbio.


I. OS COMPANHEIROS DE VIAGEM


Na Igreja e na sociedade, estamos no mesmo caminho, lado a lado. Na vossa Igreja local, quem são aqueles que “caminham juntos”? Quando dizemos “a nossa Igreja”, quem é que faz parte dela? Quem nos pede para caminhar juntos? Quem são os companheiros de viagem, inclusive fora do perímetro eclesial? Que pessoas ou grupos são, expressa ou efetivamente, deixados à margem?


II. OUVIR


A escuta é o primeiro passo, mas requer que a mente e o coração estejam abertos, sem preconceitos. Com quem está a nossa Igreja particular “em dívida de escuta”? Como são ouvidos os Leigos, de modo particular os jovens e as mulheres? Como integramos a contribuição de Consagradas e Consagrados? Que espaço ocupa a voz das minorias, dos descartados e dos excluídos? Conseguimos identificar preconceitos e estereótipos que impedem a nossa escuta? Como ouvimos o contexto social e cultural em que vivemos?


III. TOMAR A PALAVRA


Todos estão convidados a falar com coragem e parrésia, ou seja, integrando liberdade, verdade e caridade. Como promovemos, no seio da comunidade e dos seus organismos, um estilo comunicativo livre e autêntico, sem ambiguidades e oportunismos? E em relação à sociedade de que fazemos parte? Quando e como conseguimos dizer o que é deveras importante para nós? Como funciona a relação com o sistema dos meios de comunicação social (não só católicos)? Quem fala em nome da comunidade cristã e como é escolhido?


IV. CELEBRAR


“Caminhar juntos” só é possível se nos basearmos na escuta comunitária da Palavra e na celebração da Eucaristia. De que forma a oração e a celebração litúrgica inspiram e orientam efetivamente o nosso “caminhar juntos”? Como inspiram as decisões mais importantes? Como promovemos a participação ativa de todos os Fiéis na liturgia e o exercício da função de santificar? Que espaço é reservado ao exercício dos ministérios do leitorado e do acolitado?


V. CORRESPONSÁVEIS NA MISSÃO


A sinodalidade está ao serviço da missão da Igreja, na qual todos os seus membros são chamados a participar. Dado que somos todos discípulos missionários, de que maneira cada um dos Batizados é convocado para ser protagonista da missão? Como é que a comunidade apoia os seus membros comprometidos num serviço na sociedade (na responsabilidade social e política na investigação científica e no ensino, na promoção da justiça social, na salvaguarda dos direitos humanos e no cuidado da Casa comum, etc.)? Como os ajuda a viver estes compromissos, numa lógica de missão? Como se verifica o discernimento a respeito das escolhas relativas à missão e quem participa? Como foram integradas e adaptadas as diferentes tradições em matéria de estilo sinodal, que constituem a herança de muitas Igrejas, especialmente as orientais, em vista de um testemunho cristão eficaz? Como funciona a colaboração nos territórios onde estão presentes diferentes Igrejas sui iuris?


VI. DIALOGAR NA IGREJA E NA SOCIEDADE


O diálogo é um caminho de perseverança, que inclui também silêncios e sofrimentos, mas é capaz de recolher a experiência das pessoas e dos povos. Quais são os lugares e as modalidades de diálogo no seio da nossa Igreja particular? Como são enfrentadas as divergências de visão, os conflitos, as dificuldades? Como promovemos a colaboração com as Dioceses vizinhas, com e entre as comunidades religiosas no território, com e entre associações e movimentos laicais, etc.? Que experiências de diálogo e de compromisso partilhado promovemos com crentes de outras religiões e com quem não crê? Como é que a Igreja dialoga e aprende com outras instâncias da sociedade: o mundo da política, da economia, da cultura, a sociedade civil, os pobres...?


VII.  COM AS OUTRAS CONFISSÕES CRISTÃS


O diálogo entre cristãos de diferentes confissões, unidos por um único Batismo, ocupa um lugar particular no caminho sinodal. Que relacionamentos mantemos com os irmãos e as irmãs das outras Confissões cristãs? A que âmbitos se referem? Que frutos colhemos deste “caminhar juntos”? Quais são as dificuldades?


VIII. AUTORIDADE E PARTICIPAÇÃO


Uma Igreja sinodal é uma Igreja participativa e corresponsável. Como se identificam os objetivos a perseguir, o caminho para os alcançar e os passos a dar? Como se exerce a autoridade no seio da nossa Igreja particular? Quais são as práticas de trabalho em grupo e de corresponsabilidade? Como se promovem os ministérios laicais e a assunção de responsabilidade por parte dos Fiéis? Como funcionam os organismos de sinodalidade a nível da Igreja particular? São uma experiência fecunda?


IX. DISCERNIR E DECIDIR


Num estilo sinodal, decide-se por discernimento, com base num consenso que dimana da obediência comum ao Espírito. Com que procedimentos e com que métodos discernimos em conjunto e tomamos decisões? Como podem eles ser melhorados? Como promovemos a participação na tomada de decisões, no seio de comunidades hierarquicamente estruturadas? Como articulamos a fase consultiva com a deliberativa, o processo do decision-making com o momento do decision-taking? De que maneira e com que instrumentos promovemos a transparência e a accountability?


X. FORMAR-SE NA SINODALIDADE


A espiritualidade do caminhar juntos é chamada a tornar-se princípio educativo para a formação da pessoa humana e do cristão, das famílias e das comunidades. Como formamos as pessoas, de maneira particular aquelas que desempenham funções de responsabilidade no seio da comunidade cristã, a fim de as tornar mais capazes de “caminhar juntas”, de se ouvir mutuamente e de dialogar? Que formação oferecemos para o discernimento e o exercício da autoridade? Que instrumentos nos ajudam a interpretar as dinâmicas da cultura em que estamos inseridos e o seu impacto no nosso estilo de Igreja?


A fim de contribuir para a consulta


31. A finalidade da primeira fase do caminho sinodal é favorecer um amplo processo de consulta, para recolher a riqueza das experiências de sinodalidade vivida, nas suas diferentes articulações e aspetos, envolvendo os Pastores e os Fiéis das Igrejas particulares em todos os diversificados níveis, através dos meios mais adequados, em conformidade com as realidades locais específicas: a consulta, coordenada pelo Bispo,  destina-se «aos Presbíteros, Diáconos e Fiéis leigos das suas Igrejas, individualmente ou associados, sem transcurar a valiosa contribuição que pode vir dos Consagrados e das Consagradas» (EC, n. 7). De maneira particular, solicita-se a contribuição dos organismos de participação das Igrejas particulares, especialmente do Conselho presbiteral e do Conselho pastoral, a partir dos quais verdadeiramente «pode começar a tomar forma uma Igreja sinodal».[22] Será igualmente preciosa a contribuição das outras realidades eclesiais às quais o Documento Preparatório for enviado, assim como daqueles que quiserem enviar diretamente a própria contribuição. Finalmente, será de importância fundamental que encontre espaço também a voz dos pobres e dos excluídos, e não somente daqueles que desempenham alguma função ou responsabilidade no seio das Igrejas particulares.


32. A síntese que cada Igreja particular elaborar na conclusão deste trabalho de escuta e discernimento constituirá a sua contribuição para o percurso da Igreja universal. Para tornar mais fáceis e sustentáveis as fases sucessivas do caminho, é importante conseguir condensar os frutos da oração e da reflexão, no máximo, em dez páginas. Se for necessário, para as contextualizar e explicar melhor, poderão ser anexados outros textos como apoio ou integração. Recordamos que o objetivo do Sínodo, e por conseguinte desta consulta, não consiste em produzir documentos, mas em «fazer germinar sonhos, suscitar profecias e visões, fazer florescer a esperança, estimular confiança, faixar feridas, entrançar relações, ressuscitar uma aurora de esperança, aprender uns dos outros e criar um imaginário positivo que ilumine as mentes, aqueça os corações, restitua força às mãos».[23]


Índice


I. Apelo a caminhar juntos


II. Uma Igreja constitutivamente sinodal


III. À escuta das Escrituras


                        Jesus, a multidão, os apóstolos


                        Uma dupla dinâmica de conversão: Pedro e Cornélio (At 10)


IV. A sinodalidade em ação: roteiros para a consulta do Povo de Deus


                        A questão fundamental


                        Diferentes articulações da sinodalidade


                        Dez núcleos temáticos a aprofundar


A fim de contribuir para a consulta


Retirado do site: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2021-09/texto-lido-em-portugues.html, acesso dia: 28/02/2022.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Sínodo dos Bispos, o que é? Entenda!

O Sínodo dos Bispos foi criado por Paulo VI em Setembro de 1965 através do Motu Próprio "Apostolica Sollicitudo"  no contexto do Concílio Vaticano II afim de manter viva a experiência do Concílio. Ou seja, é uma assembleia que acontece periodicamente com alguns bispos representantes o objetivo de ajudar o Papa acerca dos problemas relativos a atuação da Igreja no mundo. 

    Além disso, cada Sínodo é temático! Dessa forma, cada Sínodo dos Bispos que há acontece a discussão de algumas questões relativas ao tema e a expressão de votos o qual ajuda a criar o relatório final e é enviado ao Papa. Se tal mudança acontece ou não é um poder exclusivamente do Papa sancionar ou não. Ou seja, o Sínodo ajuda ao Papa por meio do estudo e das discussões acerca do tema, mas não soluciona e nem emite decretos tais questões, essa é uma ação exclusiva do Papa.

Mas, como é a estrutura administrativa do Sínodo?

    Como já dito anteriormente, o Sínodo está diretamente ligado ao Papa, e o documento final é de exclusividade única dele o qual decide acerca do que foi exposto no relatório final se acontece tais mudanças ou não. O que entra ou não em vigor. Assim, o Sumo Pontífice em um Sínodo age diretamente como o seu Presidente. Além disso, existe uma Secretaria Geral Permanente, que são nomeados pelo Papa. E o qual tem a responsabilidade de preparar e implementar as Assembleias do Sínodo e de apresentar sobre outras questões que o Papa queira submeter. O Conselho Ordinário é formado por Bispos Diocesanos eleitos através da Assembleia Geral Ordinária e que contenha representantes das diferentes regiões geográficas. É função deste conselho a preparação e a implementação da Assembleia Geral Ordinária. Os Conselhos constituídos. "Outros Conselhos da Secretaria Geral para a preparação da Assembleia Geral Extraordinária e da Assembleia Especial são formados ad hoc por Membros nomeados pelo Papa. Os Membros destes Conselhos participam na Assembleia do Sínodo e cessam o seu mandato na dissolução da mesma." 

    Cada Assembleia possui um secretário especial e um relator geral.

E quem são os participantes de um Sínodo?

    O Código de Direito Canônico Parag.346 diz quem são os membros das Assembleias do Sínodo:

“Cân. 346 — § 1. O Sínodo dos Bispos, que se reúne em assembleia geral ordinária, é constituído por membros, cuja maioria é de Bispos, eleitos pelas Conferências episcopais para cada uma dessas assembleias segundo uma propor-ção determinada pelo direito peculiar do Sínodo; outros, deputados por força do mesmo direito; outros, nomeados directamente pelo Romano Pontífice; a estes somam-se alguns membros de institutos religiosos clericais eleitos nos termos do mesmo direito peculiar. (...) § 3. O Sínodo dos Bispos, reunido em assembleia especial, é constituído principalmente por membros eleitos provenientes das regiões para as quais foi convocado, nos termos do direito peculiar pelo qual se rege o Sínodo.”

Dessa forma, o Sínodo se desenvolve em três etapas: 

1° A Fase Preparatória: Quando o Papa convoca o Sínodo atribuindo-lhe um ou mais temas. Nessa etapa é quando há uma consulta sobre o que se está abordando no Sínodo e cada Igreja particular envia a sua contribuição.

2° A Fase da Celebração: É quando os participantes se reúnem para dialogar sobre o tema, juntando as opiniões e preparando o documento final que é submetido ao Papa para a aprovação e modificação (caso o mesmo ache necessário), de forma que aja uma possível unanimidade moral. Após a aprovação do Documento Final, este documento passa a fazer parte do Magistério ordinário da Igreja.

3° A Fase da Aplicação: Junto com o Dicastério ao qual compete o tema abordado no Sínodo e os demais Dicastérios interessados, a Secretaria Geral do Sínodo promove a implementação das orientações sinodais aprovadas pelo Papa.

Sala do Sínodo no Vaticano  (Vatican Media) - Site Vatican News.

    O atual modelo de atuação do Sínodo foi regulamentado pelo Papa Francisco em 15 de Setembro de 2018 por meio da Constituição Apostólica "Episcopalies Communio" que pode ser acessado por meio do link: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_constitutions/documents/papa-francesco_costituzione-ap_20180915_episcopaliscommunio.html

Cada Sínodo é um momento de comunhão e de renovação dos compromissos missionários. 

Referências: 

https://sistemas.mre.gov.br/kitweb/datafiles/Vaticano/pt-br/file/FAQ%20S%C3%ADnodo2019.pdf

https://diocesedepesqueira.com.br/sinodo-dos-bispos-o-que-e-quais-os-objetivos-e-como-sera-vivenciado-nas-igrejas/

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Padre Pio e a devoção a São José.

    Todos os Santos chegaram a graça do altar por causa de uma decisão profunda e sincera de conversão e por causa do auxílio do Espírito Santo, que é o único capaz de convencer os corações humanos e dá a graça necessária para o ser humano. Outra coisa importante, é que todos os Santos nutriram uma grande devoção a Nossa Senhora e a São José. 

    Por muito tempo, a teologia a São José foi algo bem escasso, poucos relatos sobre a vida desse Santo e uma interpretação não oficial por parte da Igreja, baseada em escritos apócrifos, acabaram por difundir uma visão errônea a respeito da Missão de São José. No entanto, nos últimos tempos temos visto um grande aprofundamento acerca da Missão de São José e da devoção a esse grande Santo. 

    O Papa Francisco por meio da Carta Apostólica Patris Corde (Coração de Pai) promulgou o ano de São José, tendo início em 8 de Dezembro de 2020 e terminando em 8 de Dezembro de 2021. Um tempo muito importante de oração e de estudo sobre São José, para nos ajudar nesse tempo de pandemia e de dificuldades que muitos estão passando. São José passa a ser um sinal de esperança e de providência nos levando a seu filho Jesus. Por isso, confiemo-nos a São José assim como fazia o nosso amado Padre Pio:

"São José, com o amor e a generosidade que protegeu Jesus, também protegerá sua alma e, tal como O defendeu de Herodes, defenderá sua alma do ferocíssimo Herodes: o Diabo! Todo o cuidado que o Patriarca São José têm por Jesus, Ele também tem por você e sempre o ajudará com o seu patrocínio. Ele o libertará da perseguição do perverso e soberbo Herodes, e não permitirá que seu coração se afaste de Jesus. Ite ad Joseph! Vá a São José com extrema confiança, porquê não me lembro de ter pedido nada a São José que não tenha alcançado prontamente." - San Pío de Pietrelcina, citado em José A. Rodrígues, O Livro de Joseph: O Pai Escolhido de Deus , (Toronto, ON: Ave Maria Centre of Peace, 2017), 126.

https://www.devotidipadrepio.it/varie/il-quadro-di-san-giuseppe/

São José, rogai por nós e providenciai!

Autor: Darlan Dias.

Referências:

Livro: Consagração a São José, Fr.Donald Calloway.

San Pío de Pietrelcina, citado em José A. Rodrígues, O Livro de Joseph: O Pai Escolhido de Deus , (Toronto, ON: Ave Maria Centre of Peace, 2017), 126.

Carta Apostólica Patris Corde. Disponível em:   https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html Acessado em: 19/10/2021.


terça-feira, 27 de julho de 2021

Padre Pio na história do Grupo Filhos de Maria.

 

O Grupo de Oração Filhos de Maria nasceu oficialmente, em 8 de Julho de 2016, quando um pequeno grupo de 12 pessoas se reuniram pela primeira vez para rezar diante de Jesus no Santíssimo Sacramento. Claro que desde muito tempo, Deus já vinha preparando esse povo, em cada conversa, conselho, em cada Missa que participavam.

No entanto, Padre Pio é um personagem importante para a história do grupo, pois foi em oração, que Deus mostrava que queria um novo trabalho, diferente do que já vinha sendo feito e que Nossa Senhora ia nos mostrar o caminho, como agir (cf. João 2,5), mas que também, Padre Pio seria um modelo de santidade para todos nós.

Foi aí, que enquanto rezava a Novena em honra a São Padre Pio de Pietrelcina, Deus nos fazia entender os desígnios d'Ele por meio do testemunho de São Padre Pio. 

Um amor diferente surgia em nossos corações, de tal maneira que muitos que participavam do grupo de oração ia sentindo o desejo de doar a vida a Deus em Adoração e no cuidado com o pobre. É daí também, que nasce esse blog dedicado a ele, no intuito de divulgar ainda mais a sua obra e vida de modo que mais pessoas possam se apaixonar ainda mais por esse grande santo que Deus deu ao mundo no Século XX. Desde então, Padre Pio passou a ser um modelo para nós de serviço e de amor a Deus e aos irmãos. Passou a caminhar junto conosco em cada Novena que rezávamos todos os anos, e nos faz sempre lembrar que a nossa meta é o Céu.

Em nossa página no facebook, bem como aqui em nosso blog, muitos testemunham as graças que alcançaram por meio da poderosa intercessão de São Padre Pio de Pietrelcina, portanto, cultive essa amizade com esse grande santo, ele mesmo falou que "faria mais barulho morto do que vivo" e hoje o seu testemunho continua a impactar a vida de muitos mundo a fora.

Autor: Darlan Dias.


sábado, 26 de junho de 2021

CARTA ENCÍCLICA "DEUS CARITAS EST"- BENTO XVI

CARITAS – A PRÁTICA DO AMOR PELA IGREJA ENQUANTO "COMUNIDADE DE AMOR" (Parte II)


     Dando continuidade ao nosso breve estudo sobre esta Encíclica, buscaremos nos aprofundar agora na segunda parte deste documento, escrito pelo Papa Bento XVI, durante seu pontificado. Em resumo, nesta segunda parte o papa Bento XVI trata diretamente sobre o "serviço da caridade". Retomando o que foi tratado na primeira parte desta Encíclica, o enviado de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, tornou-se homem para morrendo na cruz redimir toda a humanidade. Na consumação de seu sacrifício, o Senhor entregou seu Espírito, para que este fosse derramado sobre o coração dos homens. Este grandioso dom, transforma cada coração por ele tocado e faz com que toda a Igreja esteja em comunhão com o próprio Cristo, tornando-nos capazes de assim como Ele, amar e servir nossos irmãos. É esta a principal missão da Igreja, zelar pelo homem de forma integral, não só suprindo a necessidade espiritual, como também em todos os âmbitos da vida.

     Bento XVI afirma que o amor ao próximo encontra-se enraizado desde o início da Igreja, como citado do Livro dos Atos dos Apóstolos: "Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos de acordo com as necessidades de cada um". Este amor faz parte do que formaria o núcleo da Igreja que é o ensinamento dos apóstolos, a fração do pão e as orações. Com o objetivo de que todos tivessem o mesmo direito ao essencial e para que ninguém passasse necessidade. Apesar de, com o aumento da Igreja essa forma de comunhão não poder ser mantida, essa essência permanece até os dias de hoje. Neste contexto, nasce o "ofício diaconal", que se fez necessário para "servir as mesas", já que os apóstolos deveriam se dedicar mais precisamente a "oração" e ao "serviço da palavra". O autor destaca que este serviço era algo realmente espiritual e não meramente técnico, que para tal foram escolhidos "homens cheios do Espírito Santo", e desde então este serviço permanece até hoje na formação da Igreja.

     A caridade passa a ser tão essencial para Igreja como a administração dos sacramentos e o anúncio da palavra. Muitos foram os exemplos, dentro da Igreja, que afirmam a prática da caridade, dos quais Bento XVI destaca: Justino, santo e mártir, que em decorrência das celebrações dominicais, ocorria que as pessoas que tinham melhores condições financeiras doavam o que podiam para que com isso o Bispo pudesse ajudar as pessoas mais necessitadas naquele tempo. Também São Lourenço, que após presenciar a prisão de muitos irmãos e do Papa, foi deixado livre para recolher os tesouros da igreja e entregá-los as autoridades da época e no entanto distribuiu tudo o que tinha guardado para a assistência aos mais necessitados, apresentando-os como verdadeiro tesouro da Igreja. A "diaconia" serviço diretamente relacionado a caridade, passa a ser documentado em Roma a partir dos séculos VII e VIII, mas esse tipo de serviço faz parte da Igreja desde sua origem. Muitos escritores afirmavam que a caridade desempenhada pelos cristãos era algo que chamava a atenção até mesmo dos pagãos. Como a exemplo do Imperador Juliano, o Apóstata, que após presenciar o assassinato de seu pai e outros familiares por guardas do palácio real, teve uma visão negativa do cristianismo, pois passou a acreditar que o responsável por isso era o imperador Constâncio, o qual passava-se por um bom cristão. Para se vingar, quando se tornou imperador esforçou-se por instaurar novamente o paganismo, usando como modelo o cristianismo e principalmente a atividade caritativa, algo que segundo ele era o que tinha dado fama aos "galileus", e por isso deveria superá-los. O que demonstra mais uma vez a caridade como característica principal da Igreja. Neste sentido, Bento XVI afirma que a Palavra de Deus, os Sacramentos e o Serviço da Caridade são o tríplice dever da Igreja,que estão interligados um ao outro e que a Igreja é a família de Deus no mundo, por isso nenhum de seus membros deve passar necessidade daquilo que é necessário.E não só estes como todos os que encontrarmos necessitados, como diz a parábola do Bom Samaritano(Lucas 10,31).

     No tocante a justiça e a caridade, levantou-se um pensamento contrário as atividades caritativas, que afirmava que os pobres não precisavam de caridade e sim de justiça, isso reforçado pelo pensamento Marxista. Sendo necessário que fosse criado uma ordem que garantisse que todos tivessem direito a mesma quantidade de bens, para que não precisassem de ações de caridade. Com a formação da sociedade industrial, o poder foi dado a poucos e as massas operárias passavam por uma privação de direitos. Diante destes problemas desenvolveu-se a Doutrina Social Católica, que veio de encontro a esta problemática através de diversos documentos para auxiliar nesse processo.O autor destaca que é essencial para o cristianismo diferenciar o Estado e a Igreja: "O Estado não pode impor a religião, mas deve garantir a liberdade da mesma e a paz entre os aderentes das diversas religiões; por sua vez, a Igreja como expressão social da fé cristã tem a sua independência e vive, assente na fé, a sua forma comunitária, que o Estado deve respeitar". E é nesse contexto que o objetivo da Doutrina Social Católica é auxiliar na purificação da razão, para que todos que compartilham da fé possam colocar em prática aquilo que lhe é próprio. Não cabe a Igreja tomar do Estado o dever de tornar a sociedade o mais justa possível e sim auxiliar, através de um olhar espiritual aquilo que é de sua responsabilidade. A sociedade justa não pode ser responsabilidade da Igreja, pois isso é papel da política, porém cabe a ela auxiliar na compreensão e vontade do que a política exige. Bento XVI afirma ainda que o amor sempre será necessário, mesmo que o Estado conseguisse tornar a sociedade o mais justa possível, o amor jamais deixaria de ser essencial, pois o homem sempre necessitará, seja do cuidado ou mesmo da ajuda concreta das mais variadas formas. A visão de que através do pleno comprimento da justiça as obras de caridade não mais seriam necessárias é uma visão materialista do homem que desfigura seu real valor, pois o ser humano não necessita apenas do material, não só do cuidado com o corpo como também do espírito, e é essa a missão da Igreja através do amor inspirado pelo Espírito Santo. Os fiéis leigos são chamados a participar da vida publica e a buscar sempre o bem comum, como forma de viver a caridade também na sociedade.

     Em relação as muitas estruturas caritativas na atualidade, o autor discorre a respeito do quanto através dos meios de comunicação a miséria humana tem sido cada dia mais conhecida, não só a material como a espiritual, o que torna ainda mais necessário que cada ser humano se esforce em sair de si e ir de encontro a quem mais precisa. Bento XVI destaca a importância da união de muitas estruturas estatais e eclesiais, pois através do amor cristão a Igreja pode contribuir com a transformação da sociedade civil para que se viva o verdadeiro sentido da caridade. Há diversos serviços caritativos e também filantrópicos, onde inclusive muitos jovens se tornam voluntários para ir de encontro aos que mais precisam. Ele confirma a importância de todas essas formas de atividades caritativas na Igreja Católica e em outras Igrejas e Comunidades Eclesiais, já que se unem as obras de caridade e a evangelização, e assim como afirmou o Papa João Paulo II, a igreja deve ajudar desde que todas busquem esse mesmo objetivo, enxergando o homem como imagem e semelhança de Deus, dar a cada um o direito a um vida digna.

     Em relação ao perfil da atividade caritativa na Igreja, Bento XVI escreve que as mais diferentes organizações que vem sendo criadas mundo a fora são consequência do amor que o próprio Senhor imprimiu no coração do homem. Porém ganha ainda mais força pela presença do Cristianismo, que ultrapassa os limites da fé cristã e se espalha por todo o mundo, e por isso a caridade cristã deve ser vivida plenamente para que não perca sua verdadeira essência tornando-se apenas um assistencialismo. Nesse aspecto a caridade cristã é uma resposta a necessidade do outro, seja esta qual for. No caso do cuidado com os doentes se faz necessária a competência, para que esses profissionais cumpram com responsabilidade seus deveres. Mas acima disto precisam tratar com atenção e humanidade a quem necessita. Dessa forma é necessário a "formação do coração", para que além do profissionalismo haja o amor resultante do encontro pessoal com Cristo, que transborda dos corações que experimentam essa alegria e atinge a vida do irmão, deixando de ser algo imposto e se tornando consequência daquele amor que é vivido no intimo do coração. A caridade cristã não deve ter relação com ideologias e partidos, visando ideias progressistas como defende a teoria Marxista, que afirma que a caridade contribui para o empobrecimento do povo e esta é vista como um empecilho para a prática de suas ideias revolucionárias. Não se pode esperar um mundo melhor deixando de fazer o bem por um momento, pelo contrário, é necessário ir de encontro a necessidade do outro. Independente de programas e ações planejadas, é preciso ter um coração que sente pelo outro e está sempre disposto a ajudar. Ressalta ainda que os atos de caridade não devem visar a conversão do outro, o que define-se por proselitismo, pois o amor é gratuito. Isso não significa que é preciso deixar Deus de lado, mas que é através do amor em sua verdadeira essência que o homem conhece verdadeiramente a Deus e é levando esse amor, que leva-se a conhecer o próprio Senhor, que por vezes em razão de sua falta está a raiz do sofrimento. Faz-se necessário que cada cristão seja verdadeira testemunha de Cristo na vida dos irmãos.

     Bento XVI destaca ainda que o responsável pelas atividades caritativas na Igreja é a própria Igreja, iniciando pelas Paróquias, Igrejas Particulares até chegar a Igreja Universal. Sua missão como "família de Deus" é ir ao encontro de todos que se acharem necessitados de ajuda, mesmo aqueles que estão fora dela. No que trata do papel dos missionários, já ficou bem claro que estes não devem se deixar levar por ideologias para mudar o mundo e sim deixar-se guiar pela fé. É necessário ter um coração transformado por Deus, a partir da experiência de seu amor, que irá refletir na vida dos irmãos, doando sua vida em favor dos outros gratuitamente, a exemplo do próprio Cristo. Nesse sentido a Igreja católica deve instruir o missionário a colaborar com outras organizações nas mais diversas necessidades, desde que estas tenham como critério o serviço de Cristo a seus discípulos. A caridade não deve ser apenas uma atividade, mas nela deve está presente o amor pelo ser humano, que é nutrido no encontro com Deus. Servindo desta forma adquire-se a virtude da humildade, enxergando que apesar da condição que o outro se encontra, isso não faz superior aquele que ajuda, pelo contrário é graça de Deus poder ajudar, sabendo que muitas vezes não temos nada para oferecer de bom, reconhecemos que somos apenas "servos inúteis" e que precisamos fazer o que nos for possível e Ele cuidará do resto. A infinidade de necessidades no mundo pode levar  o homem a dois extremos: Querer encontrar a solução para todo problema, na intenção de resolver tudo que o governo humano não pode resolver e que muitas vezes ao invés de resolver, atrapalha ainda mais. Ou cair na tentação de achar que nada do que fizer vai adiantar, deixando de fazer aquilo que lhe é possível. A oração é o meio que é capaz de orientar o caminho certo a seguir. Como afirma o autor:"Quem reza não desperdiça o seu tempo, mesmo quando a situação apresenta todas as características duma emergência e parece impelir unicamente para a acção". Ele cita como exemplo a Santa Madre Teresa de Calcutá, que testemunhou em sua vida a fonte inesgotável do amor ao próximo através da oração.O cristão que reza salva-se de "doutrinas fanáticas e terroristas" e evita-se que este queira tornar-se juiz de Deus, acusando-o por deixar que a humanidade sofra e questionando sua vontade.Mesmo muitas vezes não compreendendo, não acreditamos que Ele seja indiferente as dúvidas e incertezas que surgem pelo caminho, mas permanecemos confiantes no seu amor por cada um de nós. 

     Por fim, Bento XVI afirma que: "A fé, a esperança e a caridade caminham juntas".  A esperança nos fortalece perante as dificuldades, para que perseveremos no caminho que o Senhor nos aponta. A fé nos convence do amor de Deus, que foi capaz de entregar seu filho único por cada um de nós. É através da fé em Nosso Senhor, que cremos que Ele sempre vencerá; por mais difíceis que sejam as situações aos nossos olhos humanos temos a firme esperança que Deus reina sobre todas elas. A fé nos faz crer que: "O amor é possível, e nós somos capazes de o praticar porque somos criados à imagem de Deus". O autor nos indica o exemplo dos santos, que através de sua vida e de seu testemunho nos dão esta certeza. Acima de todos estes encontra-se Maria, mais perfeito exemplo de amor e santidade. Que possamos nos confiar a ela, para contarmos com seu auxilio na busca da verdadeira caridade.


Referência: https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est.html

segunda-feira, 8 de março de 2021

Uma visita histórica; cheia de amor, paz e alegria não só para o Iraque, mas para todo o Mundo.



Esse final de semana, o mundo foi impactado com a visita histórica do Papa Francisco ao Iraque. Um povo sofrido, em meio a lutas e perseguições. Mas, com profundo gosto pela vida e alegria estampada no rosto. O Iraque hoje é formado por maioria de jovens; e o número de Católicos no País é de 590 mil pessoas de uma população de 38 milhões.

Com isso, a ida do Papa ao Iraque representa a cena do Bom Pastor que vai ao encontro das suas ovelhas para sarar as feridas. O Papa Francisco além do encontro com o maior expoente do mulçumano xiita Al - Sistani, teve também outros encontros marcantes, como por exemplo: 

- Quando encontrou-se com o pai do pequeno Alan, que morreu afogado na costa turca em 2015, quando tentavam fugir em busca de um País sem Guerra (Cena que comoveu todo o mundo).

- A entrega do Livro Sagrado - Sidra - por o Papa ao Arcebispo de Mossul. Este livro Sagrado de Liturgia remonta aos Séculos XIV - XV. E pertence a Igreja Sírio - Cristã, e foi recuperado por a Focsiv na Itália, durante o ano de violência do Estado Islâmico.

- O Encontro com Doha Sabah Abdallah, uma mulher cristã da cidade de Qaraqosh no Iraque e que perdeu o seu filho e o sobrinho durante atentado terrorista do ISIS; mas que ela soube perdoar. "Jesus perdoou seus verdugos... Imitando - o em nossos sofrimentos, testemunhamos que o amor é mais forte que tudo."

- O momento de oração na "Praça das Igrejas" na Cidade de Mossul, no Iraque, onde rezou por as vítimas do terrorismo. Esse momento também foi marcante, pois, entre Julho e Agosto de 2014 milhares de cristãos foram forçados a fugir de Mossul e grande parte da província de Nínive quando o território ficou sob o domínio do Estado Islâmico. Milhares de pessoas perderam a vida naquele local. E foi de lá, que o ISIS fez a sua ameaça ao Papa dizendo: "Iremos a Roma, ocuparemos Roma e cortaremos a cabeça do Papa." O local era usado como centro de operações de terroristas do Estado Islâmico (ISIS).

Esses são alguns pontos que podemos destacar da rica viagem (de fé, esperança e amor) do Papa ao Iraque. Teria muito mais a destacar, mas o tempo e o espaço não nos permite no momento. Portanto, que possamos nos deixar ser impactados por essa grande alegria que o povo iraquiano recebeu e que se estende para o mundo inteiro. 

Francisco não só a Igreja do Iraque, mas o mundo todo agradece o seu esforço na luta pela paz, fraternidade e conversão.

Rezemos pelo Papa Francisco e por o mundo todo. Francisco, nós te amamos!

sábado, 14 de novembro de 2020

A Missão do Grupo de Oração Filhos de Maria

 


E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15

A missão do grupo de oração é obedecer a essa ordem de Jesus, ir aonde o Senhor os enviar. Tomando Maria como mãe e principal intercessora, Ela vai a frente mostrando como levar a verdade do evangelho a todas as famílias com humildade e caridade, apontando sempre para Jesus e ensinando como adorar em espirito e em verdade. Assim como em pentecostes, sua presença traz a certeza de uma efusão no Espirito Santo a todos que se deixarem cativar, sabendo que Ele é quem pode convencer a todos a uma conversão verdadeira.

Antes de nascermos, já existíamos em desejo no coração de Deus, assim sendo, o Senhor tem para cada um de nós um plano de salvação, um caminho já preparado para chegarmos ao céu. Porém, com a nossa liberdade, muitas vezes optamos pelo pecado que nos desvia do proposito de Deus, daquilo que Ele idealizou para as nossas vidas. No entanto, sua misericórdia sempre busca nos trazer de volta ao caminho certo, mesmo que depois de muitas voltas e trilhas erradas que escolhemos seguir.

E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno. Salmos 139:24

O grupo de oração busca essa graça de caminhar conforme a vontade de Deus. Pelo caminho, Deus vai confiando algumas almas nas mãos desse povo, que vai chegando através dos momentos de oração e adoração nas terças feiras na igreja, aos sábados com as visitas as famílias para vivenciar o cenáculo de amor com o santo terço, oração e meditação da palavra, no reforço com as crianças, pelos meios de comunicação, enfim, o Senhor tem a cada dia providenciado vias de acesso para chegar a todos que tem sede de Deus. Dessa forma vai se concretizando a missão do grupo, em meio sua caminhada, ajudando aqueles que chegam a encontrarem o caminho e não se desviar dele, até chegar ao céu.

Assim como Maria, cada um do grupo é chamado a doar a sua vida e a ser servo de cada homem ´por amor, anunciando-lhe o amor de Deus, a importância de ser um filho amado de um Deus vivo, levando o outro a enxergasse como o Senhor o vê, e não como o mundo o julga, tirar da miséria mundana as almas que já foram subjugadas e excluídas aos olhos humanos, mostrar que cada uma tem um alto preço que já foi pago por nosso Senhor Jesus Cristo, e colocar a esperança nos corações já adormecidos e cansados com o peso das cruzes.

Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. 2 Coríntios 1:4