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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Carta escrita por padre assassinado prevê a própria morte duas décadas antes e pede compaixão para o assassino


Religiosos e fiéis pedem respeito à vontade do franciscano Rene Robert, que era contrário à pena de morte



"Peço que a pessoa considerada culpada do meu assassinato não seja submetida à pena de morte em nenhuma circunstância", escreveu o padre em documento que foi registrado em cartório (Foto: ST JOHNS COUNTY SHERIFFS OFFICE)


Um padre que foi assassinado no ano passado, nos Estados Unidos, já havia pedido, 22 anos antes, que o assassino fosse perdoado. O reverendo Rene Robert era contrário à pena de morte e escreveu uma carta em que parece prever a própria morte.

Na carta, o padre católico pedia que aquele que um dia tirasse a sua vida fosse poupado da execução "não importa quão hediondo tenha sido o crime ou o quanto eu possa ter sofrido".

Agora, os bispos católicos esperam que o documento convença os promotores a reverter a decisão que condenou Steven James Murray à pena de morte, depois de sequestrar e matar o padre, em abril do ano passado, no Estado da Geórgia, onde existe a pena de morte.

A carta


O reverendo Robert tinha 71 anos e vivia na cidade costeira de Saint Augustine, no Estado da Flórida. Seu corpo foi encontrado sete dias depois do crime, crivado de balas, numa mata da Geórgia.

De acordo com as autoridades, o religioso foi morto por Steven Murray, a quem vinha tentando ajudar há vários meses.

Em 1995, o padre franciscano escreveu uma carta, considerada pela Igreja católica uma "declaração de vida", que foi testemunhada e registrada em cartório.

"Eu peço que a pessoa considerada culpada do meu assassinato não seja submetida à pena de morte em nenhuma circunstância", escreveu.

Agora, bispos católicos estão protestando contra a decisão da Promotoria, que pede a pena de morte para o homem acusado de ter assassinado o reverendo Robert.

Amigos lembram que o padre dedicou a vida a ajudar os mais vulneráveis, como condenados, viciados em drogas e pessoas com problemas mentais.

Steven Murray, de 28 anos, confessou ter matado o padre Robert e pode ser condenado à morte com uma injeção letal (Foto: AIKEN COUNTY SHERIFFS OFFICE)


"Ele tinha consciência que seu ministério poderia ser vítima de violência, mas ainda assim cuidava daquelas pessoas", disse o arcebispo Wilton Gregory.

Protesto de religiosos

O arcebispo estava entre uma dezena de religiosos participantes de um protesto, no começo desta semana, diante da Corte de Justiça de Augusta, na Geórgia.

Ele entregaram uma petição com mais de 7,4 mil assinaturas de pessoas da diocese do reverendo Robert pedindo que a vontade dele seja respeitada.

"Nós queremos ser a voz dele e fazer com que a sua 'declaração de vida' seja levada em consideração neste caso específico", disse o bispo Gregory Hartmayer, em frente ao prédio do tribunal.

O bispo Felipe Estevez, da diocese de Saint Augustine, disse que o condenado pelo assassinato certamente merece uma punição, mas, acrescentou, "condenar à morte como consequência de um assassinato só perpetua o ciclo de violência na nossa comunidade".

A promotora do distrito de Augusta, Ashley Wright, citou fatores agravantes ao pedir a pena de morte para o acusado.

Ela disse que as agravantes tornaram a morte do padre "ultrajante e indecentemente vil, horrível e desumana".

Murray, que já tinha ficha criminal, pediu uma carona ao padre em Jacksonville, na Flórida, antes de sequestrá-lo e matá-lo, segundo as autoridades.

'Eu simplesmente surtei'

O suspeito foi detido quando dirigia o carro do reverendo no Estado da Carolina do Sul, um dia depois de o padre Robert ser dado como desaparecido.

Sete dias mais tarde, Murray levou os policiais até o local onde estava o corpo.

Ao aparecer no tribunal logo depois da prisão, o suspeito pediu clemência.

"Quem ama o padre Rene vai me perdoar porque ele era um homem de Deus e perdoar é piedade", disse o suspeito, segundo o noticiário local WALB News, da rede de TV americana ABC.

"Tenho problemas mentais e perdi o controle. Peço desculpas", acrescentou.

Usuário de drogas, Murray, de 28 anos, esteve preso várias vezes desde a adolescência.

Na noite de 10 de abril de 2016, ele pediu carona ao padre, o sequestrou e dirigiu com o religioso até o Estado vizinho da Geórgia, onde o matou a tiros e se livrou do corpo numa mata.

Ele disse a um jornal local que nunca pretendera matar o religioso, mas entrou em pânico ao perceber que tinha ido longe demais.

"Eu simplesmente surtei e o matei", disse Murray, ao alegar inocência em uma série de entrevistas com os advogados na prisão.

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/carta-escrita-por-padre-assassinado-preve-a-propria-morte-duas-decadas-antes-e-pede-compaixao-para-o-assassino.ghtml

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Santo Antônio de Sant'Anna Galvão, homem de paz e caridade.

Santo Antônio de Sant'Anna GalvãoFrei Galvão era cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios

Conhecido como “o homem da paz e da caridade”, Antônio de Sant’Anna Galvão, popularmente conhecido como Frei Galvão nasceu no dia 10 de maio de 1739, na cidade de Guaratinguetá (SP).

Filho de Antônio Galvão, português natural da cidade de Faro em Portugal, e de Isabel Leite de Barros, natural da cidade de Pindamonhangaba, em São Paulo. O ambiente familiar era profundamente religioso. Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política.

O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandou Antônio, com a idade de 13 anos, à Bahia, a fim de estudar no seminário dos padres jesuítas.

Em 1760, ingressou no noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição, no Convento de São Boaventura do Macacu, na Capitania do Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote no dia 11 de julho de 1762, sendo transferido para o Convento de São Francisco em São Paulo.

Museu de Frei Galvão em Guaratinguetá-SP.
Em 1774, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição.

Cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios. Por isso o povo a ele recorria em suas necessidades. A caridade de Frei Galvão brilhou, sobretudo, como fundador do mosteiro da Luz, pelo carinho com que formou as religiosas e pelo que deixou nos estatutos do então recolhimento da Luz. São páginas que tratam da espiritualidade, mas em particular da caridade de como devem ser vivida a vida religiosa e tratadas as pessoas de dentro e de fora do “recolhimento”.

Às 10 horas do dia 23 de dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua sepultura ainda hoje continua sendo visitada pelos fiéis.

Sobre a lápide do sepulcro de Frei Galvão está escrito para eterna memória: “Aqui jaz Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, ínclito fundador e reitor desta casa religiosa, que tendo sua alma sempre em suas mãos, placidamente faleceu no Senhor no dia 23 de dezembro do ano de 1822”. Sob o olhar de sua Rainha, a Virgem Imaculada, sob a luz que ilumina o tabernáculo, repousa o corpo do escravo de Maria e do Sacerdote de Cristo, a continuar, ainda depois da morte, a residir na casa de sua Senhora ao lado de seu Senhor Sacramentado.

Basílica de Frei Galvão, Guaratinguetá-SP.
Frei Galvão é o religioso cujo coração é de Deus, mas as mãos e os pés são dos irmãos. Toda a sua pessoa era caridade, delicadeza e bondade: testemunhou a doçura de Deus entre os homens. Era o homem da paz, e como encontramos no Registro dos Religiosos Brasileiros: “O seu nome é em São Paulo, mais que em qualquer outro lugar, ouvido com grande confiança e não uma só vez, de lugares remotos, muitas pessoas o vinham procurar nas suas necessidades”.

O dia 25 de outubro, dia oficial do santo, foi estabelecido, na Liturgia, pelo saudoso Papa João Paulo II, na ocasião da beatificação de Frei Galvão em 1998 em Roma. Com a canonização do primeiro santo que nasceu, viveu e morreu no Brasil, a 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI manteve a data de 25 de outubro.

Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, rogai por nós!

Fonte: http://santo.cancaonova.com/

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Santo Inácio de Santhiá.



Quando Padre Lourenço Mauricio Belvisotti se apresentou ao provincial dos capuchinhos de Turim pedido para se tornar frade capuchinho, deixou a todos maravilhados. Era um sacerdote bem sucedido, bom orador e pároco. 

O que mais estava querendo? 

O provincial o aconselhou a permanecer padre secular, mas nada pode convencê-lo; é então aceito entre os frades com o nome de frei Inácio de Santhiá.

Frei Inácio nasceu de uma família abastada em 05 de junho de 1686. Aos sete anos de idade fica órfão de pai e a mãe o entrega a um sacerdote para que seja educado, assim, além de receber uma sólida instrução, cresce também na piedade, amadurecendo a sua vocação sacerdotal.
Completa os estudos teológicos e em 1790 é ordenado sacerdote. Depois de seis anos de frutuoso ministério sacerdotal, entra para a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

Ninguém compreende a sua decisão. Ele buscava humildade e obediência e sabia que somente entre os capuchinhos podia viver estas virtudes, nas quais se tornará um modelo durante os 54 anos de se seguirão.

Depois do noviciado passou por vários conventos, onde sua presença é sempre apreciada e seu exemplo edifica a todos, confrades e povo; sua serenidade e disponibilidade para qualquer serviço serão lembrados por muito tempo. 

Durante quatro anos, no convento do Monte, em Turim, se torna modelo de oração e dedicação às confissões dos numerosos penitentes, para os quais manifesta a bondade e misericórdia de Deus e sempre os recebe com imensa caridade. É chamado para ser mestre dos noviços, tarefa que executará por quatorze anos, tendo como meta fazer dos jovens a ele confiados, verdadeiros amantes de Deus; instruía mais com o exemplo que com ensinamentos, sendo sempre disponível para uma conversa em particular a qualquer hora.

Frei Inácio recebe uma carta de um frei missionário, em ex-noviço seu, tinha perdido a visão, recomendando-se às suas orações; Frei Inácio ora então a Deus e faz a oferta de sua própria visão se for de seu agrado. Deus escuta a sua oração e eis que o missionário recupera a vista, ao passo que o nosso santo vai perdendo a sua.

Assim, impossibilitado de continuar no oficio de mestre, é chamado novamente ao Monte de Turim, onde exerce a função de capelão, servido incansavelmente aos feridos com carinho.
De volta ao convento, se dedica à pregação, às confissões,  visita aos doentes, mas também continua a ser um contemplativo: caminhando pelas ruas da cidade, rezava o terço e entrava nas várias igrejas que encontrava. No convento, nas horas livres, retirava-se num cantinho da igreja e lá dialogava com o seu Senhor.


Quando já muito enfermo, o seu maior presente era quando o levavam à capela, onde ficava várias horas. Esta profunda união com Deus era o segredo para estar sempre tranquilo e sereno.

Tinha passado para a Ordem Capuchinha buscando a obediência, durante toda a sua vida procurou viver essa virtude, até o ultimo instante: somente quando o superior do convento pronunciou as palavras do ritual: “Parte, ó alma cristã, deste mundo...”, frei Inácio expirou, deixando fama de santidade.

O Papa Paulo VI o beatificou dia 17 de Abril de 1966, e o papa João Paulo II o declarou santo:

“Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados" (Jo 20, 22-23). Com estas palavras o Ressuscitado transmite aos Apóstolos o dom do Espírito e com ele, o poder divino de perdoar os pecados. A missão de perdoar as culpas e de acompanhar os homens pelos caminhos da perfeição evangélica foi vivida, de modo particular, pelo sacerdote capuchinho Inácio de Santhiá, que por amor de Cristo e para progredir mais rapidamente na perfeição evangélica se encaminhou seguindo as pegadas do Pobrezinho de Assis.

Inácio de Santhiá foi pai, confessor, conselheiro e mestre de muitos sacerdotes, religiosos e leigos que no Piemonte do seu tempo recorriam à sua orientação sábia e iluminada. Ele continua ainda hoje a recordar todos os valores da pobreza, da simplicidade e da autenticidade de vida.”

Homilia de Canonização – 19 de maio de 2002
Papa João Paulo II